maio 28, 2014

Brincando com o algodão

Cestinha de frutas de algodão orgânico. Servem de mordedor para bebês e para brincar de faz-de-conta quando a criança cresce. Crédito: Eco Maternidade

Já falei aqui sobre alguns problemas relacionados à grande quantidade de brinquedos de plástico existente atualmente. Comentei sobre a produção dos brinquedos e sobre os potenciais problemas que o contato frequente com brinquedos de plástico pode causar, principalmente no caso de bebês, que ainda colocam tudo que alcançam na boca.

Hoje vou falar um pouco sobre uma das alternativas aos brinquedos de plástico: os brinquedos feitos a partir de algodão.

No fundo, a opção mais sustentável na hora de escolher um brinquedo para o seu filho é optar por brinquedos de segunda mão ou então participar de algum esquema de aluguel de brinquedos, novidade que vem surgindo no mercado. O processo de produção de qualquer brinquedo, mesmo os mais ecológicos, requer energia e matéria-prima.

Além de ser melhor para o meio ambiente, comprar um brinquedo de segunda mão ou alugar um brinquedo é também muito melhor para o bolso. Afinal, crianças crescem rapidamente e a vida útil de um brinquedo nas mãos de uma criança é bem curta.

A segunda melhor opção do ponto de vista ambiental é limitar a quantidade de brinquedos e adquirir produtos feitos com matéria-prima natural e renovável, como é o caso do algodão.

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maio 20, 2014

Os testes de segurança (ou a falta deles) em produtos infantis

Fotos por Alicia Voorhies, Flickr, Licença Creative Commons

Fotos por Alicia Voorhies, Flickr, Licença Creative Commons

No texto sobre brinquedos de plástico, falei sobre o caso da substância Bisfenol A (BPA), banida recentemente no Canadá, nos EUA, na União Europeia e no Brasil na fabricação de mamadeiras para bebês. Há cada vez mais evidências de que o BPA atrapalha o funcionamento do sistema endócrino, o sistema que regula os hormônios no corpo humano.

Segundo pesquisas, o BPA imita a ação do estrogênio, o hormônio que tem papel chave no nosso organismo, do crescimento ósseo e ovulação à função cardíaca. Níveis baixos ou níveis elevados de estrogênio, especialmente no útero ou na primeira infância, podem alterar o desenvolvimento do cérebro e de outros órgãos. Em outras palavras, é como se o BPA ‘reprogramasse’ nossas células, contribuindo para o desenvolvimento de doenças.

Se o BPA é tóxico a ponto de os governos acima o banirem, por que a substância foi usada pela indústria por tanto tempo antes da proibição? Por que as agências governamentais responsáveis pela saúde pública não conduziram testes extensivos antes de as mamadeiras de plástico começarem a ser comercializadas?

Infelizmente, casos assim são recorrentes. Nossa sociedade se preocupa muito com potenciais problemas agudos a que crianças pequenas podem ser submetidas, mas os potenciais problemas crônicos que a exposição a certos objetos causa nas crianças são muitas vezes ignorados.

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maio 13, 2014

O desenvolvimento do paladar na infância

*Este é um guest post escrito pela cozinheira e cooking coach Mônica Souza*

Um dos maiores desafios na criação dos filhos diz respeito à alimentação. Somos bombardeados todos os dias com milhares de informações sobre o certo e o errado na hora de comer, sobre superalimentos, dietas da moda e sobre vilões e mocinhos dos pratos. Ficou muito difícil escolher um caminho e o que deveria ser natural e instintivo se tornou um grande dilema. Duvido que nossas bisavós tenham se preocupado se deveriam comer ovos inteiros ou somente as claras… Acredito que um bom começo para falar sobre alimentação infantil seria pensar em como se molda o paladar, e se há algo que os pais podem fazer desde cedo para facilitar a aceitação dos alimentos.

Foto por Linda Aslund, no Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Linda Aslund, no Flickr, Licença Creative Commons

As preferências alimentares são determinadas por vários fatores:

O gosto inato, que é determinado geneticamente

O gosto inato, que é um componente genético, é dado por programações que nos permitem perceber o sabor de cada alimento. Cada sabor é captado pelas papilas gustativas localizadas na língua. A percepção dos sabores é fundamental na modulação das nossas preferências. Por exemplo: o sabor amargo nos protegeu evolutivamente de ingerir alimentos venenosos ou tóxicos. A percepção do sabor ácido colabora para a rejeição de alimentos que possam estar estragados. O sabor doce e o umami (sabor relacionado a carnes e alimentos salgados) são percebidos como agradáveis. Fica fácil entender a nossa preferência por alimentos ricos nestes sabores. O sabor salgado não é percebido antes do quarto mês de vida, portanto, não é inato. Existe ainda um sexto sabor, chamado de “fat taste”, que pode ter evoluído por uma necessidade de sobrevivência, para ajudar na detecção de alimentos com alta carga energética. A preferência por gordura, portanto, pode ser algo natural e programado geneticamente.

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maio 7, 2014

Alimentando o bebê e cuidando do meio ambiente

Crédito: Eco Maternidade

Fileiras de latas de fórmula láctea. Qual é o impacto ambiental do leite artificial e da lata que o armazena? Crédito: Eco Maternidade

Que o leite materno é muito melhor para a saúde dos pequenos do que a fórmula láctea muita gente sabe. Mas você já parou para pensar no impacto ambiental das duas formas de alimentar um bebê? Eu não poderia dar continuidade à série de posts sobre alimentação infantil sem escrever sobre a relação entre o primeiro alimento da vida de um ser humano e o meio ambiente.

Uma diferença bem óbvia entre o leite materno e a fórmula láctea infantil vem do método de produção de cada um. Para ser produzido, o leite materno requer, no máximo, calorias extras ingeridas pela mãe. Do ponto de vista ambiental, isso significa mais recursos para a produção de mais alimentos.

A fórmula infantil, por sua vez, necessita de todo um processo de produção com uma pegada ambiental bem alta até chegar ao consumidor: produção da matéria-prima da fórmula em si (feita, normalmente, a partir do leite de vaca ou do leite de soja), processamento industrial para transformar em algo digerível por um bebê (adição de outros ingredientes, etc), acondicionamento em embalagens (que, por sua vez, também precisam de energia e matéria-prima para serem produzidas) e transporte (em várias etapas de produção: matéria-prima para embalagem, embalagem pronta mas ainda vazia, embalagem já com produto final e produto final até o consumidor).

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