junho 26, 2014

Segunda mão – Por que não?

Caixa de envio de roupas da loja de segunda mão online Thred Up. Crédito: Eco Maternidade

Caixa de envio de roupas da loja de segunda mão online Thred Up. Crédito: Eco Maternidade

Muitas das roupas que o meu filho usa foram compradas de segunda mão, na loja online Thred Up, que tem sede em San Francisco, CA. Praticamente tudo que já compramos na Thred Up chega aqui em casa com o aspecto de novo! Além disso, pagamos uma fração do preço cobrado pelas lojas convencionais por roupas novas.

Todo mundo sabe que, de maneira geral, compra-se muito mais do que uma criança pequena realmente precisa e que muita coisa nem chega a ser usada. E, mesmo as coisas que são efetivamente usadas, o são por pouco tempo, já que criança cresce super rápido. Por que comprar roupas de segunda mão não é um hábito comum para muita gente? Algumas ideias me vêm à cabeça:

  • Seria uma resistência à possível falta de higiene relacionada ao ato de usar coisas previamente usadas por desconhecidos?
  • Seria reflexo de uma cultura que associa o uso de itens de segunda mão a doações (que, por sua vez, são frequentemente intermediadas pela igreja católica ou então feitas diretamente à camada da sociedade que presta serviços domésticos)?
  • Seria uma crença cultural de que comprar tudo novinho e combinando é sinônimo de demonstração de amor ao filho?

O que vocês acham? Existe realmente uma resistência cultural em relação à compra de artigos previamente usados por desconhecidos?

Prefiro pensar que comprar artigos de segunda mão, na verdade, é um ato de demonstração de amor a nossos filhos, e não o contrário, como levantei acima. Afinal, reduzir o consumo de itens novos, que demandam energia e matéria-prima para serem produzidos, significa deixar um planeta mais limpo e saudável para as próximas gerações.

Semelhante à loja online Thred Up, onde compro roupas para o meu filho, existe a Ficou Pequeno no Brasil. Que tal olhar primeiro o site da Ficou Pequeno antes de ir olhar a vitrine da loja física no shopping quando seu filho precisar de uma roupa ‘nova’?

junho 11, 2014

Uma introdução alimentar diferente: relato de Baby-Led Weaning

Maria Victoria nas etapas iniciais do BLW

Maria Victoria nas etapas iniciais do BLW. Crédito: Ledyane Azevedo

*Este é um guest post escrito pela cozinheira e cooking coach Mônica Souza*

BLW – Baby-Led Weaning é uma técnica utilizada para apresentação de alimentos sólidos para os bebês. Criada pela americana Gill Rapley, já é bastante conhecida em alguns países e tem ganhado muitos adeptos por aqui nos últimos anos.

O ponto central do BLW é deixar que o bebê se alimente sozinho, assim que se inicia seu interesse pela alimentação dos adultos ao seu redor. Numa tradução livre, baby-led seria “conduzida pelo bebê” e weaning, desmame. Então seria “desmame conduzido pelo bebê”. O papel dos pais seria oferecer os alimentos e deixar que a criança os explore livremente, sem forçar, sem obrigar a comer.

O papel da alimentação sólida no primeiro ano não é exatamente o de nutrir. A amamentação é a responsável por suprir as necessidades nutricionais. Se a mãe não pode amamentar, por qualquer razão que não nos cabe aqui discutir, o ideal seria procurar um banco de leite ou uma fórmula adequada para seu bebê. A alimentação sólida deve ser introduzida para que a criança se acostume a novos sabores e texturas.

O momento ideal para se introduzir o BLW acontece com o despertar do interesse pelo alimento que o adulto está ingerindo, geralmente entre o 4º e o 6º mês.

Alguns sinais de prontidão devem ser observados:

  • Quando o bebê começa a demonstrar interesse pelo que a família come;
  • Quando o bebê já consegue sentar-se sem apoio;
  • Quando o bebê perde o reflexo de colocar para fora todo alimento sólido que é oferecido;
  • Quando o bebê mostra que já sabe mastigar, mesmo quando ainda não tem dentes;
  • Quando o bebê já consegue pegar objetos com facilidade.

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junho 10, 2014

O carrinho do bebê e o meio ambiente

Foto por Jez Arnold, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Jez Arnold, Flickr, Licença Creative Commons

Carrinhos de bebê enormes e caros costumam ser muito cobiçados pelo aspecto estético, pela facilidade de manobrá-los e pelo conforto que apresentam ao bebê. Isso tudo pode ser verdade.

Mas o super carrinho logo vira um trambolho. Costumam ser difíceis de fechar, são pesados e grandes demais para a mala de um carro de pequeno ou médio porte.

Já perdi a conta de quantas vezes vi uma família que comprara um super carrinho aposentá-lo e passar a usar um carrinho guarda-chuva quando o bebê cresce um pouco.

Agora tentem imaginar o impacto ambiental da situação descrita acima? Quantos super carrinhos são construídos para serem aposentados depois de um breve período de uso?

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junho 4, 2014

Refeições com sentido

Foto por Steffen Sameiske, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Steffen Sameiske, Flickr, Licença Creative Commons

Você, alguma vez, já considerou a possibilidade de tapar os olhos de seu bebê na hora da refeição? Acho que a resposta de qualquer pessoa em sã consciência seria ‘não’, sem qualquer hesitação.

Pois uma novidade recém-chegada ao mercado brasileiro coloca a criança em uma situação, até certo ponto, semelhante. As papinhas em sachê, muito usadas nos EUA em função da praticidade, conseguem transformar algo ruim, a papinha industrializada, em algo pior ainda.

As papinhas industrializadas, como muitos sabem, apresentam uma série de problemas. Tanto as versões salgadas quanto as doces contêm ingredientes indesejados, têm pouca variação de cor – contrariando a abundância de cores que encontramos naturalmente nos alimentos – e têm sua consistência pastosa demais, semi-líquida, impedindo que o bebê explore a textura natural dos alimentos e comece a aprender a mastigar.

As papinhas em sachê ainda têm o agravante de serem uma refeição feita “no escuro”, já que a criança se alimenta diretamente de uma abertura no topo do saquinho que, ao contrário do vidro das papinhas tradicionais, não é transparente.

Em outras palavras, as papinhas em sachê, além de apresentarem todos os problemas associados às papinhas industrializadas, ainda roubam de nossos filhos a oportunidade de explorar os alimentos com os olhos.

Se o bebê não vê aquilo que está comendo justamente no momento em que está conhecendo o mundo e aprendendo a se alimentar de outras coisas que não leite, como esperar que ele se interesse pela hora da refeição e desperte curiosidade por frutas, verduras e legumes de verdade?

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