setembro 30, 2014

Conselhos da indústria alimentícia? Não, obrigada!

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Há alguns meses, me deparei, em uma andança pela Internet, com a notícia de que uma multinacional de laticínios havia lançado uma marca de leite em pó para crianças a partir de 1 ano. Pelo que entendi, estão querendo ganhar mais espaço no mercado de alimentos infantis no país. Como parte da estratégia de marketing, lançaram, também, uma ‘escolinha de nutrição’ como aplicativo da página da empresa no Facebook. A ideia é oferecer aulas sobre alimentação de crianças pequenas para pais e mães.

Demorei um tempão para digerir o que tinha lido na tal página, tanto o que tinha sido escrito pelo departamento de marketing da empresa quanto os comentários positivos deixados por pais e mães fãs da marca. Não conseguia parar de pensar em quão triste é a constatação de que adultos aceitam a orientação de uma multinacional para alimentar seus bebês.

Após um tempo, me convenci de que uma situação como a descrita acima somente é possível porque, na verdade, há muitos adultos meio perdidos em relação à própria alimentação. Em outras palavras, há muitos adultos que não têm referências positivas que os ajudem na hora das compras e na cozinha, não sabem ler rótulos, desconhecem os prejuízos associados aos alimentos industrializados e não têm nocões básicas de nutrição e de culinária, seja por falta de interesse pelo assunto, por falta de tempo ou por acreditar que cozinhar bem é algo complicado e inatingível.

Se esse é o caso de muitos adultos em relação à própria alimentação, o que acontece quando eles se tornam pais? O sucesso da campanha da multinacional que descrevo acima sugere que muitos pais estão perdidos quando se vêem responsáveis pela alimentação dos filhos.

Fico imaginando como estaria sendo a alimentação do meu filho caso eu não tivesse tomado a iniciativa de aprender a cozinhar quando saí da casa dos meus pais há mais de 10 anos e não tivesse cultivado e ampliado meu interesse pelo tema alimentação desde então. Muito provavelmente, estaria me sentindo insegura e acabaria oferecendo a ele, com a melhor das intenções, algum produto alimentício voltado para o público infantil, sem saber que produtos alimentícios frequentemente têm baixíssimo valor nutritivo, contêm açúcar ou sódio em excesso, carboidratos refinados, conservantes e espessantes, além de serem desprovidos de fibras.

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setembro 4, 2014

Cheiro bom ou cheiro ruim?

Foto por Travis Swan, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Travis Swan, Flickr, Licença Creative Commons

Eu sempre tive alergia a perfumes e a outros cheiros fortes. Desde criança. Passei boa parte da minha vida achando que eu havia vindo ‘com defeito de fábrica’. Isto é, achava que era alérgica porque tinha tido o azar de nascer destinada a desenvolver a doença. Era como se a causa para minha alergia fosse interna ao meu corpo.

Já adulta, eu descobri que perfumes e fragrâncias em cosméticos e produtos de higiene pessoal são, hoje em dia, frequentemente sintéticos, derivados do petróleo, imitando fragrâncias naturais. Em outras palavras, apesar de as embalagens desses produtos mostrarem flores e frutas, remetendo à natureza, de ‘natural’ esses produtos não costumam conter praticamente nada.

É bem provável que a minha alergia seja pelo menos parcialmente causada pelos componentes sintéticos das fragrâncias. E, ainda pior, há cada vez mais evidências de que fragrâncias sintéticas causariam muitos outros problemas. E não seriam somente problemas agudos, mas também problemas de natureza crônica.

O termo ‘fragrância’ na lista de ingredientes de um cosmético representa, na verdade, uma complexa mistura de inúmeras substâncias químicas. Já faz tempo que ONGs internacionais apresentam relatórios sobre a precariedade dos testes de segurança feitos pela indústria de cosméticos. Há variação entre a legislação de diferentes países mas, de maneira geral, os estudos de segurança, de responsabilidade das próprias empresas, não são satisfatórios. A legislação brasileira não é das mais rigorosas.

Segundo os relatórios das ONGs, os testes que são feitos focam nas consequências mais imediatas da exposição a uma substância. Não são feitos estudos suficientes a respeito da exposição prolongada a um determinado componente. Também não são realizados testes a respeito do ‘coquetel’ de substâncias a que uma pessoa é exposta ao usar vários produtos quase que ao mesmo tempo (por exemplo, sabonete ou gel de banho, shampoo, condicionador, desodorante, creme hidratante, etc).

Além de alergias, dermatite e problemas respiratórios, isto é, problemas que costumam aparecer pouco tempo após o uso de um cosmético, há cada vez mais evidências sugerindo a ligação entre fragrâncias sintéticas e alterações hormonais.

Uma das substâncias que mais causam preocupação é a substância ftalatos. Usada para aumentar a durabilidade do cheiro de fragrâncias, a substância atrapalharia o funcionamento do sistema endócrino. Pesquisas indicam, por exemplo, que a substãncia ftalatos está associada a puberdade precoce em meninas, a redução de esperma em homens e a problemas reprodutivos em fetos do sexo masculino (quando a mãe é exposta à substância durante a gravidez).

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