Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

A equipe da Apple que inventou o iPad era, muito provavelmente, composta por pessoas super criativas, capazes de resolverem problemas complexos e que não desistem facilmente de um projeto. Afinal, o aparelho criado pela empresa é um exemplo marcante de tecnologia e design.
Vocês já pararam para pensar sobre o que faziam os inventores do iPad quando eram crianças? Com certeza não brincavam com tablets.

Será que a maneira como os criadores do iPad brincavam na infância influenciou o modo como trabalham agora que são adultos?

O empreendedor Nate Hanson, criador do Sumry, um inovador aplicativo da Web para criação e compartilhamento de currículos, acredita que sim.

Segundo Nate, em um recente artigo para o Huffington Post, a geração de inventores do iPad não precisava de ninguém para entretê-la ou desenvolver coisas para diverti-la. Não dependia da criatividade e da inventividade de outras pessoas, pois conseguia criar suas próprias brincadeiras com objetos simples como galhos, por exemplo.

No artigo do Huffington Post, Nate compara a realidade de crianças norte-americanas da geração dos criadores do iPad com a realidade da geração de hoje em dia. O tablet da Apple foi inventado por adultos que, quando crianças, brincavam livremente ao ar livre por horas a fio. A geração atual, ironicamente, passa muito tempo dentro de casa olhando fixamente para … um iPad.

O autor, então, relembra vários momentos de sua infância na pequena cidade de West Lynn, no estado de Oregon, explicando como o tipo de brincadeira das crianças da sua geração tornou-as criativas, persistentes e capazes de pensar fora da caixa.

Como muitos adultos norte-americanos de sua geração, Nate passava muitas horas brincando no quintal da casa dos pais, ao ar livre, em contato direto com a natureza. Lá, plantou feijão e ervilha para acompanhar as sementes germinando, conectou mangueiras, regadores e torneiras para criar pequenos ‘shows’ de água, construiu uma casa de passarinho com pedaços de madeira, construiu fortes com pedaços de lona e madeira, construiu casas para formigas usando galhos, rampas e móveis e replantou uma árvore de bordo que havia brotado em local inapropriado, observando-a crescer, regando-a e cuidando dela durante muitos anos, até virar uma árvore adulta de 9 metros de altura.

Foto por Littlemaiba, Flickr, Licença Creative Commons. Por mais incrível que possa parecer, o menino está brincando com um iPad e ainda tem a TV ligada no mesmo ambiente.

Foto por Littlemaiba, Flickr, Licença Creative Commons. Por mais incrível que possa parecer, o menino está brincando com um iPad e ainda tem a TV ligada no mesmo ambiente.

Nos meses de inverno, quando fazia muito frio para brincar ao ar livre, Nate construia mundos, governos e economias com blocos de Lego e dinheiro do Banco Imobiliário. Ele não gostava de conjuntos de Legos com temas pré-estabelecidos. Ele gostava era de um balde cheio de peças para construir o que sua mente imaginava.

Tenho a impressão que muitos pais realmente não veem problema no uso corriqueiro de eletrônicos como o iPad. Acreditam que se trata de um avanço tecnológico benéfico e que uma criança nascida no século XXI não deve ser privada de usufruir de tal avanço.

Nate Hanson, por sua vez, acredita que, ao deixarmos que a geração atual de crianças passe muito tempo na frente da tela de um iPad, estamos, lentamente, assassinando o futuro da inovação. Para ele, se deixarmos que nossos filhos se satisfaçam com o que uma caixa de 25cm tem a oferecer, tiraremos deles a curiosidade e a criatividade de que a geração anterior precisou para construir o aparelho que as crianças de hoje seguram com tanta naturalidade.

Se não tirarmos o entretenimento fácil das mãos de nossos filhos, eles nunca aprenderão a criar maneiras de se entreter por conta própria.

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Alguns leitores poderiam argumentar que a geração de criadores do iPad não tinha um tablet na mão, mas tinha TV e video game à disposição na infância. É verdade. Mas não acredito que isso invalide o raciocínio desenvolvido por Nate Hanson em seu artigo para o Huffington Post. Segundo pesquisas recentes (aqui e aqui), o tempo que as crianças passam em frente a uma tela (seja ela de TV, de computador ou de tablet) é cada vez maior. e acho que ninguém precisa de evidências de pesquisas para concordar que existem cada vez mais aplicativos para tablet e celulares voltados especificamente para o público infantil.

Como pais, precisamos assumir nossa responsabilidade pela “educação eletrônica” de nossos filhos. Se nao dá para eliminarmos os eletrônicos de nossas vidas, precisamos, ao menos, refletir sobre as consequências do uso corriqueiro por crianças e limitar ao máximo oferecê-los a nossos filhos.