Crédito: Eco Maternidade

Crédito: Eco Maternidade

Meu filho não assiste televisão, não tem brinquedo a pilha que toque música ou acenda luz, não tem acesso ao meu telefone e nem tem um tablet infantil. Até ganhamos de presente uma bola que toca música. Mas eu e o marido tiramos a caixinha da bateria que faz a bola cantar. Afinal, é uma bola! Por que haveria de cantar? Bolas não cantam! Bolas rolam, ora bolas!

Segundo a Academia Americana de Pediatria, crianças de até dois anos não devem ficar diante de tela alguma em qualquer momento do dia. Nessa fase, o cérebro do bebê triplica de tamanho e a super exposição a tecnologia parece estar associada a problemas cognitivos e de comportamento. No caso de crianças mais velhas, pesquisas diversas mostram que o tempo em frente à tela da TV, por exemplo, está diretamente ligado à obesidade, além de afetar negativamente o sono.

Alguns aplicativos de tablets, frequentemente vistos como ferramentas educativas, seriam, na verdade, prejudiciais à aprendizagem a longo prazo. Segundo especialistas, a rapidez com que telas touch screen interagem com as crianças poderia reduzir a paciência e a resistência para atividades que exigem mais esforço mental, como a leitura de um livro, por exemplo.

Sei que é impossível, nos dias de hoje, evitar eletrônicos completamente. Mas se os danos causados por tablets & cia estão comprovados, principalmente no caso de crianças bem pequenas, por que não evitar o uso banal e corriqueiro desses equipamentos? Aqui em casa, como moramos longe da família, acabo sentando na frente do computador com o meu filho para que ele possa ‘conversar’ com os avós via Skype. Afinal, o Eduardo precisa conhecer os avós. Quando ele estiver um pouco maior, vai assistir a DVDs, sem comerciais, e não à TV aberta ou a cabo.

Recomendo fortemente a leitura deste texto do pediatra Daniel Becker sobre a importância de crianças terem acesso a brinquedos simples e livros e sobre os malefícios dos equipamentos e brinquedos eletrônicos quando oferecidos a bebês e quando usados em excesso na infância.

Além dos problemas que podem ser causados a quem abusa de equipamentos eletrônicos, há também o lado ambiental e social associado à produção e ao descarte desses produtos, que não deve ser ignorado.

Dentro da parte exterior comumente feita de plástico, equipamentos eletrônicos contêm uma infinidade de pecinhas e fios condutores de energia feitos de metais. A lista de metais usados pela indústria é longa, incluindo, por exemplo, cobre, chumbo e alumínio, bem como metais nobres como o ouro e a platina.

A extração de minerais metálicos é uma atividade altamente poluente e muito cruel do ponto de vista social. O processo de extração em si polui rios (e, consequentemente, seus peixes e outros habitantes), expõe os mineradores a substâncias tóxicas e fomenta conflitos sociais pela posse de terra em áreas como a Amazônia, bem como alimenta guerras civis e trabalho infantil em países africanos.

Para piorar o cenário, além dos problemas ambientais (e sociais) inerentes à cadeia produtiva de eletrônicos, existe também a questão do descarte. Onde vão parar todos os equipamentos que se tornam obsoletos em uma velocidade cada vez maior? Uma grande parte do lixo eletrônico que produzimos é enviada a ‘países lixão’, isto é, países economicamente pobres que viraram depósito de equipamentos eletrônicos descartados em países economicamente ricos. Em outros casos, o lixo eletrônico é descartado juntamente com o lixo comum, agravando o problema da contaminação do solo.

Não é que eu seja totalmente contra o uso de equipamentos eletrônicos tanto por adultos quanto por crianças. Neste exato momento, digito em um computador construído com todas as consequências ambientais e sociais negativas citadas acima. O problema, a meu ver, é a obsessão que desenvolvemos pelo avanço tecnológico e a busca por aparelhos cada vez mais modernos quando já se tem um aparelho funcionando perfeitamente. Esse comportamento tem custos sociais e ambientais irrefutáveis.

Como mãe, penso no meu papel na ‘educação eletrônica’ do meu filho. Ao limitar os eletrônicos na primeira infância, espero estar plantando uma sementinha para que meu filho cresça e desenvolva sua criatividade, curta momentos de ócio de forma saudável, sem depender completamente de eletrônicos para se entreter e sem sentir a necessidade de, quando adulto, estar sempre trocando de celular e computador.

REFERÊNCIAS E MAIS INFORMAÇÃO:

http://www.marketwatch.com/story/10-things-the-baby-product-industry-wont-tell-you-2014-04-11?pagenumber=9

Para um ótimo texto em português com mais detalhes sobre o problema do lixo eletrônico, clique aqui

http://www.amamentareh.com.br/coluna-dr-daniel-becker-2/

http://www.huffingtonpost.com/cris-rowan/10-reasons-why-handheld-devices-should-be-banned_b_4899218.html