Muito se fala hoje em dia dos problemas ambientais causados pelas garrafas PET e pelas sacolas plásticas. A discussão, no entanto, costuma parar por aí. A julgar pela quantidade de brinquedos de plástico existentes no mundo, por que não incluí-los na discussão?

Vários tipos de plástico são usados para fabricar brinquedos. Para quem não sabe, a matéria prima para o plástico é, quase sempre, o petróleo, cujo processo de extração é altamente poluente.

Mas o problema não termina aí.

O processo de fabricação dos plásticos em si também é muito poluente, criando resíduos que se espalham pelo ar e pelos mares. Anos depois, o brinquedo de plástico será descartado (mesmo que o brinquedo seja doado pelo dono original, em algum momento, ele será descartado).

Como ele é feito de plástico, que não é um material facilmente biodegradável, demorará séculos, literalmente, para se decompor, e o brinquedo continuará poluindo mais um tanto!

Pesquisas indicam, por exemplo, que, durante o processo de produção de plásticos, bem como após o descarte pelo consumidor, partículas minúsculas, conhecidas como ‘microplásticos’, e usadas como precursores de resinas plásticas, se perdem no meio ambiente. Quando chegam no mar ou nos rios, são ingeridas por peixes, que as confundem por comida.

Para mim, esses já são motivos suficientes para evitar brinquedos de plástico, já que prefiro não incentivar uma cadeia de produção tão poluente.

Mas tem mais.

Como todas as mães e pais sabem, existe uma fase do desenvolvimento de nossos filhos que é a de explorar o mundo através da boca. Deixou qualquer coisa no raio de alcance de um bebê de seis meses? É para a boca que vai, sem dúvida alguma!

Supostamente, há tipos de plástico mais seguros para manusearmos do que outros. O assunto é complexo e merece um texto mais detalhado, mas as pesquisas têm demonstrado que algumas substâncias usadas na produção do plástico são potencialmente tóxicas à saúde humana.

Algumas dessas substâncias, por exemplo, atrapalhariam o funcionamento do sistema endócrino, a rede de glândulas que regula a secreção de hormônios em nossos organismos. Este seria o caso, por exemplo, do Bisfenol A, um composto químico muito usado pela indústria na fabricação de plásticos. O Bisfenol A foi banido em mamadeiras para bebês pelos governos do Canadá, EUA, União Europeia e pela Anvisa no Brasil em função de sua toxicidade.

O plástico reina no mundo dos brinquedos infantis. Além dos óbvios itens feitos de plástico duro, a maioria dos brinquedos de tecido e de borracha hoje em dia são, na verdade, de tecido e borracha sintéticos. Em outras palavras, plástico. Ou seja, o plástico é muito mais predominante do que uma apreciação inicial dos brinquedos de seus filhos possa sugerir.

Itens de plástico macio que têm a aparência de borracha, como brinquedos e livros de banho e alguns mordedores, por exemplo, são frequentemente feitos de PVC (policloreto de polvinila), um tipo de plástico que é apontado por muitos especialistas como altamente tóxico (se você lê em inglês, clique aqui e aqui para saber mais).

Pato de borracha natural à esquerda e pato de borracha sintética à direita. Foto:  acervo pessoal

Pato de borracha natural à esquerda e pato de borracha sintética à direita. Crédito: Eco Maternidade

Bichinhos de pelúcia ou com enchimento e livros de tecido são outros exemplos de brinquedos que não são imediatamente identificados como plástico mas que, hoje em dia, são feitos de material sintético em sua maioria. Quando não o são, o produtor costuma fazer questão de deixar explícito, na embalagem ou na etiqueta, que o item é feito a partir de matéria prima natural.

À esquerda, um livro de algodão. À direita, um livro de tecido sintético. Foto: acervo pessoal

À esquerda, um livro de algodão. À direita, um livro de tecido sintético. Crédito: Eco Maternidade

OK, ninguém sabe ao certo o quão prejudicial é o contato constante com plástico durante os primeiros anos de vida de uma criança, contato esse muitas vezes feito pela boca.

Mas não seria mais sensato aplicar o princípio da precaução e pelo menos evitar brinquedos de plástico? Assim evitamos o incentivo a uma indústria super poluente e minimizamos o contato de nossos filhos com substâncias potencialmente tóxicas.

Tenho total consciência de que é impossível evitar os brinquedos de plástico completamente e lidar com todas essas questões individualmente. Mesmo que você não compre nenhum para seu filho, ele ganhará de presente ou terá contato com os brinquedos de amigos ou na creche, caso a frequente. Não sou tão ingênua. Sei que meu próprio filho já colocou muita coisa de plástico na boca.

Acredito, até, que o plástico tenha uso potencialmente justificado em certas circunstâncias. Este seria o caso, por exemplo, de brinquedos de encaixe (tipo Lego), extremamente duráveis – não tendo que ser substituídos com frequência, podendo ser passados para outras gerações, e destinados a crianças mais velhas, que não mais colocam as coisas na boca. Nesses casos, os brinquedos podem ser feitos de plástico reciclado, minimizando um pouco o problema.

Vamos pensar melhor os brinquedos dos nossos filhos?

Este post faz parte de uma série sobre materiais utilizados na fabricação de brinquedos. Em breve, publicarei textos sobre as alternativas aos brinquedos de plástico.

REFERÊNCIAS  E MAIS INFORMAÇÃO:

My Plastic Free Life

Plastic Pollution Coalition

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