dezembro 8, 2014

O que (não) fazer para seu filho comer bem – PARTE 1

Foto por David Goehring, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por David Goehring, Flickr, Licença Creative Commons

Até que ponto a seletividade na hora de comer é característica natural das crianças? O quanto da seletividade dos filhos pode ser atribuído a tropeços dos pais durante a introdução alimentar?

Minha experiência pessoal e as leituras que faço sobre o tema alimentação infantil me fazem acreditar que uma boa parte da seletividade da criança pode, sim, ser evitada.

A seletividade na hora da refeição deixa pais preocupados com a saúde dos filhos, faz com que restaurantes ofereçam menu infantil com itens pouco nutritivos e abre as portas para a indústria alimentícia lançar cada vez mais produtos de fácil aceitação pelo público infantil.

Infelizmente, na tentativa de fazer com que os filhos comam e com receio de que os filhos não estejam ingerindo uma quantidade suficiente de nutrientes, muitos pais lançam mão de estratégias atraentes que acabam sendo precursoras de problemas lá na frente.

A fim de entendermos alguns erros bastante comuns cometidos por pais ou cuidadores em relação à alimentação na primeira infância, eu fui buscar o conhecimento de uma especialista na área.

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novembro 4, 2014

Repensando a bebida na lancheira das crianças

Foto por PhotographyByPaul, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por PhotographyByPaul, Flickr, Licença Creative Commons

Todos os dias, Joãozinho leva para a escola uma caixinha de bebida longa vida em sua lancheira. O surgimento desse tipo de produto no mercado facilitou a vida da mãe de Joãozinho, pois as embalagens longa vida individuais têm o tamanho perfeito para o lanche da escola.

Ótimo, não? Hmmm, mais ou menos. Infelizmente, a proliferação de bebidas industrializadas em caixas cartonadas longa vida traz consigo praticidade, mas também baixo valor nutritivo, potenciais problemas de saúde e um alto custo ambiental.

Como ficará claro ao longo do texto, o assunto ‘bebida de criança’ é um caso que ilustra perfeitamente a premissa aqui do Eco Maternidade de que o que é melhor para o meio ambiente é também melhor para a saúde de nossos nossos filhos. Precisamos repensar que bebida colocar nas lancheiras dos pequenos.

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setembro 30, 2014

Conselhos da indústria alimentícia? Não, obrigada!

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Há alguns meses, me deparei, em uma andança pela Internet, com a notícia de que uma multinacional de laticínios havia lançado uma marca de leite em pó para crianças a partir de 1 ano. Pelo que entendi, estão querendo ganhar mais espaço no mercado de alimentos infantis no país. Como parte da estratégia de marketing, lançaram, também, uma ‘escolinha de nutrição’ como aplicativo da página da empresa no Facebook. A ideia é oferecer aulas sobre alimentação de crianças pequenas para pais e mães.

Demorei um tempão para digerir o que tinha lido na tal página, tanto o que tinha sido escrito pelo departamento de marketing da empresa quanto os comentários positivos deixados por pais e mães fãs da marca. Não conseguia parar de pensar em quão triste é a constatação de que adultos aceitam a orientação de uma multinacional para alimentar seus bebês.

Após um tempo, me convenci de que uma situação como a descrita acima somente é possível porque, na verdade, há muitos adultos meio perdidos em relação à própria alimentação. Em outras palavras, há muitos adultos que não têm referências positivas que os ajudem na hora das compras e na cozinha, não sabem ler rótulos, desconhecem os prejuízos associados aos alimentos industrializados e não têm nocões básicas de nutrição e de culinária, seja por falta de interesse pelo assunto, por falta de tempo ou por acreditar que cozinhar bem é algo complicado e inatingível.

Se esse é o caso de muitos adultos em relação à própria alimentação, o que acontece quando eles se tornam pais? O sucesso da campanha da multinacional que descrevo acima sugere que muitos pais estão perdidos quando se vêem responsáveis pela alimentação dos filhos.

Fico imaginando como estaria sendo a alimentação do meu filho caso eu não tivesse tomado a iniciativa de aprender a cozinhar quando saí da casa dos meus pais há mais de 10 anos e não tivesse cultivado e ampliado meu interesse pelo tema alimentação desde então. Muito provavelmente, estaria me sentindo insegura e acabaria oferecendo a ele, com a melhor das intenções, algum produto alimentício voltado para o público infantil, sem saber que produtos alimentícios frequentemente têm baixíssimo valor nutritivo, contêm açúcar ou sódio em excesso, carboidratos refinados, conservantes e espessantes, além de serem desprovidos de fibras.

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julho 15, 2014

Salmão com maquiagem?

Foto por Astacus, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Astacus, Flickr, Licença Creative Commons

Quando eu era criança, salmão era um peixe muito caro e relativamente difícil de ver nos menus dos restaurantes e nos supermercados da cidade. De uns anos para cá, seu preço reduziu consideravelmente e o peixe rosado passou a ser onipresente na cena gastronômica das grandes cidades. Hoje em dia, é facílimo encontrar salmão em restaurantes a la carte, em restaurantes a kilo e, obviamente, nos restaurantes japoneses que se multiplicaram pelos centros urbanos no Brasil.

Vocês já pararam para pensar como isso aconteceu? Por que será que o salmão se transformou em um peixe muito mais acessível do que ele era até os anos 90? Sendo um peixe de águas frias, o salmão não é encontrado na costa brasileira. De onde vem, então, o peixe que deixou de ser exclusivo do prato dos mais privilegiados economicamente e virou peixe do dia-a-dia, amplamente recomendado por especialistas por seus supostos benefícios à saúde, inclusive a grávidas e a crianças pequenas?

O habitat natural do salmão é o Atlântico Norte e o Pacífico Norte. Contudo, as reservas naturais do peixe rosado tornaram-se escassas há muitos anos, devido à intensa exploração da espécie para consumo humano, à construção de usinas hidrelétricas em rios que abrigam o peixe e à forte poluição de rios e mares dos quais o salmão depende (o peixe passa a maior parte da vida nos mares, mas se reproduz nos rios). Como, então, a disponibilidade do salmão para o consumidor (no Brasil e no resto do mundo, diga-se de passagem) continua aumentando de modo considerável se as reservas naturais do peixe encontram-se reduzidas?

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junho 11, 2014

Uma introdução alimentar diferente: relato de Baby-Led Weaning

Maria Victoria nas etapas iniciais do BLW

Maria Victoria nas etapas iniciais do BLW. Crédito: Ledyane Azevedo

*Este é um guest post escrito pela cozinheira e cooking coach Mônica Souza*

BLW – Baby-Led Weaning é uma técnica utilizada para apresentação de alimentos sólidos para os bebês. Criada pela americana Gill Rapley, já é bastante conhecida em alguns países e tem ganhado muitos adeptos por aqui nos últimos anos.

O ponto central do BLW é deixar que o bebê se alimente sozinho, assim que se inicia seu interesse pela alimentação dos adultos ao seu redor. Numa tradução livre, baby-led seria “conduzida pelo bebê” e weaning, desmame. Então seria “desmame conduzido pelo bebê”. O papel dos pais seria oferecer os alimentos e deixar que a criança os explore livremente, sem forçar, sem obrigar a comer.

O papel da alimentação sólida no primeiro ano não é exatamente o de nutrir. A amamentação é a responsável por suprir as necessidades nutricionais. Se a mãe não pode amamentar, por qualquer razão que não nos cabe aqui discutir, o ideal seria procurar um banco de leite ou uma fórmula adequada para seu bebê. A alimentação sólida deve ser introduzida para que a criança se acostume a novos sabores e texturas.

O momento ideal para se introduzir o BLW acontece com o despertar do interesse pelo alimento que o adulto está ingerindo, geralmente entre o 4º e o 6º mês.

Alguns sinais de prontidão devem ser observados:

  • Quando o bebê começa a demonstrar interesse pelo que a família come;
  • Quando o bebê já consegue sentar-se sem apoio;
  • Quando o bebê perde o reflexo de colocar para fora todo alimento sólido que é oferecido;
  • Quando o bebê mostra que já sabe mastigar, mesmo quando ainda não tem dentes;
  • Quando o bebê já consegue pegar objetos com facilidade.

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junho 4, 2014

Refeições com sentido

Foto por Steffen Sameiske, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Steffen Sameiske, Flickr, Licença Creative Commons

Você, alguma vez, já considerou a possibilidade de tapar os olhos de seu bebê na hora da refeição? Acho que a resposta de qualquer pessoa em sã consciência seria ‘não’, sem qualquer hesitação.

Pois uma novidade recém-chegada ao mercado brasileiro coloca a criança em uma situação, até certo ponto, semelhante. As papinhas em sachê, muito usadas nos EUA em função da praticidade, conseguem transformar algo ruim, a papinha industrializada, em algo pior ainda.

As papinhas industrializadas, como muitos sabem, apresentam uma série de problemas. Tanto as versões salgadas quanto as doces contêm ingredientes indesejados, têm pouca variação de cor – contrariando a abundância de cores que encontramos naturalmente nos alimentos – e têm sua consistência pastosa demais, semi-líquida, impedindo que o bebê explore a textura natural dos alimentos e comece a aprender a mastigar.

As papinhas em sachê ainda têm o agravante de serem uma refeição feita “no escuro”, já que a criança se alimenta diretamente de uma abertura no topo do saquinho que, ao contrário do vidro das papinhas tradicionais, não é transparente.

Em outras palavras, as papinhas em sachê, além de apresentarem todos os problemas associados às papinhas industrializadas, ainda roubam de nossos filhos a oportunidade de explorar os alimentos com os olhos.

Se o bebê não vê aquilo que está comendo justamente no momento em que está conhecendo o mundo e aprendendo a se alimentar de outras coisas que não leite, como esperar que ele se interesse pela hora da refeição e desperte curiosidade por frutas, verduras e legumes de verdade?

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maio 20, 2014

Os testes de segurança (ou a falta deles) em produtos infantis

Fotos por Alicia Voorhies, Flickr, Licença Creative Commons

Fotos por Alicia Voorhies, Flickr, Licença Creative Commons

No texto sobre brinquedos de plástico, falei sobre o caso da substância Bisfenol A (BPA), banida recentemente no Canadá, nos EUA, na União Europeia e no Brasil na fabricação de mamadeiras para bebês. Há cada vez mais evidências de que o BPA atrapalha o funcionamento do sistema endócrino, o sistema que regula os hormônios no corpo humano.

Segundo pesquisas, o BPA imita a ação do estrogênio, o hormônio que tem papel chave no nosso organismo, do crescimento ósseo e ovulação à função cardíaca. Níveis baixos ou níveis elevados de estrogênio, especialmente no útero ou na primeira infância, podem alterar o desenvolvimento do cérebro e de outros órgãos. Em outras palavras, é como se o BPA ‘reprogramasse’ nossas células, contribuindo para o desenvolvimento de doenças.

Se o BPA é tóxico a ponto de os governos acima o banirem, por que a substância foi usada pela indústria por tanto tempo antes da proibição? Por que as agências governamentais responsáveis pela saúde pública não conduziram testes extensivos antes de as mamadeiras de plástico começarem a ser comercializadas?

Infelizmente, casos assim são recorrentes. Nossa sociedade se preocupa muito com potenciais problemas agudos a que crianças pequenas podem ser submetidas, mas os potenciais problemas crônicos que a exposição a certos objetos causa nas crianças são muitas vezes ignorados.

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maio 13, 2014

O desenvolvimento do paladar na infância

*Este é um guest post escrito pela cozinheira e cooking coach Mônica Souza*

Um dos maiores desafios na criação dos filhos diz respeito à alimentação. Somos bombardeados todos os dias com milhares de informações sobre o certo e o errado na hora de comer, sobre superalimentos, dietas da moda e sobre vilões e mocinhos dos pratos. Ficou muito difícil escolher um caminho e o que deveria ser natural e instintivo se tornou um grande dilema. Duvido que nossas bisavós tenham se preocupado se deveriam comer ovos inteiros ou somente as claras… Acredito que um bom começo para falar sobre alimentação infantil seria pensar em como se molda o paladar, e se há algo que os pais podem fazer desde cedo para facilitar a aceitação dos alimentos.

Foto por Linda Aslund, no Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Linda Aslund, no Flickr, Licença Creative Commons

As preferências alimentares são determinadas por vários fatores:

O gosto inato, que é determinado geneticamente

O gosto inato, que é um componente genético, é dado por programações que nos permitem perceber o sabor de cada alimento. Cada sabor é captado pelas papilas gustativas localizadas na língua. A percepção dos sabores é fundamental na modulação das nossas preferências. Por exemplo: o sabor amargo nos protegeu evolutivamente de ingerir alimentos venenosos ou tóxicos. A percepção do sabor ácido colabora para a rejeição de alimentos que possam estar estragados. O sabor doce e o umami (sabor relacionado a carnes e alimentos salgados) são percebidos como agradáveis. Fica fácil entender a nossa preferência por alimentos ricos nestes sabores. O sabor salgado não é percebido antes do quarto mês de vida, portanto, não é inato. Existe ainda um sexto sabor, chamado de “fat taste”, que pode ter evoluído por uma necessidade de sobrevivência, para ajudar na detecção de alimentos com alta carga energética. A preferência por gordura, portanto, pode ser algo natural e programado geneticamente.

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maio 7, 2014

Alimentando o bebê e cuidando do meio ambiente

Crédito: Eco Maternidade

Fileiras de latas de fórmula láctea. Qual é o impacto ambiental do leite artificial e da lata que o armazena? Crédito: Eco Maternidade

Que o leite materno é muito melhor para a saúde dos pequenos do que a fórmula láctea muita gente sabe. Mas você já parou para pensar no impacto ambiental das duas formas de alimentar um bebê? Eu não poderia dar continuidade à série de posts sobre alimentação infantil sem escrever sobre a relação entre o primeiro alimento da vida de um ser humano e o meio ambiente.

Uma diferença bem óbvia entre o leite materno e a fórmula láctea infantil vem do método de produção de cada um. Para ser produzido, o leite materno requer, no máximo, calorias extras ingeridas pela mãe. Do ponto de vista ambiental, isso significa mais recursos para a produção de mais alimentos.

A fórmula infantil, por sua vez, necessita de todo um processo de produção com uma pegada ambiental bem alta até chegar ao consumidor: produção da matéria-prima da fórmula em si (feita, normalmente, a partir do leite de vaca ou do leite de soja), processamento industrial para transformar em algo digerível por um bebê (adição de outros ingredientes, etc), acondicionamento em embalagens (que, por sua vez, também precisam de energia e matéria-prima para serem produzidas) e transporte (em várias etapas de produção: matéria-prima para embalagem, embalagem pronta mas ainda vazia, embalagem já com produto final e produto final até o consumidor).

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abril 16, 2014

Educação alimentar e o meio ambiente

A revolução pessoal pela qual passei há alguns anos, que me fez tomar consciência da minha pegada ambiental e passar a enxergar o mundo natural de maneira diferente, teve início, na verdade, na cozinha.

Nunca fui de questionar muito meus hábitos alimentares. Como boa parte da classe média alta no Brasil, passei a minha infância e juventude sem ter que me preocupar com idas ao supermercado ou com o trabalho na cozinha. Quase como um ‘milagre’, as refeições chegavam à mesa, sem esforço algum da minha parte.

O ‘milagre’, no entanto, parou de acontecer quando fui morar em Londres, como estudante de doutorado, e me vi, pela primeira vez, em uma situação em que tinha que comprar e cozinhar a minha própria comida. Cheguei à conclusão de que tinha duas opções: viver à base de pizzas congeladas e saladas pré-lavadas ou aprender a cozinhar.

Decidi que aprenderia a cozinhar!

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