março 9, 2016

Um desfralde (quase) sustentável – PARTE 2

Foto por Krystal B, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Krystal B, Flickr, Licença Creative Commons

Desde antes de decidirmos engravidar, meu marido e eu já sabíamos que usaríamos fralda de pano em nosso bebê, por motivos ecológicos e financeiros. Não imaginávamos, contudo, que acabaríamos adotando a técnica conhecida em inglês como Elimination Communication’ (EC). Em poucas palavras, a técnica consiste em colocar o bebê para eliminar números 1 e 2 no penico. Nós focamos somente no número 2, ou seja, foi um EC de meio expediente. Já escrevi sobre o início da nossa experiência com a técnica aqui. Este texto conta o desfecho da história. Apesar de o uso da técnica não ter sido intencional, ela funcionou tão bem, mas tão bem, que me arrependo de não ter focado também no número 1!

Como contei em Um desfralde (quase) sustentável – PARTE 1, começamos, aos 6 meses, a colocar o Eduardo para fazer número 2 no penico de madeira que encomendamos pela internet. Ele era muitíssimo regular e evacuava praticamente todos os dias de manhã cedo. Foi sucesso total. Ao longo de vários meses de uso, foram pouquíssimas as vezes que ele não evacuou no penico logo após acordar. Já que estava dando certo, resolvemos adotar o penico também quando o Eduardo fazia número 2 mais de uma vez ao dia. Com pouquíssimas exceções, isso acontecia depois das refeições, mamadas ou sonecas.

Para nossa surpresa, aos 16 meses, nosso filho passou a nos avisar que precisava evacuar. Foi isso mesmo que você leu: com 1 ano e 4 meses, ele aprendeu a falar a palavra ‘cocô’ e passou a usá-la quando precisava evacuar. Levávamos ele para o penico meio incrédulos de que um bebê ainda tão novinho fosse capaz de tal feito. Desde então, sempre que estávamos em casa, ele passou a nos avisar todas as vezes que precisava evacuar. Quando estávamos na rua, ele não avisava e fazia na fralda.

Poucos meses depois, ele viu uma amiguinha que estava em processo de desfralde usar um penico portátil no parquinho. Como ele já curtia um penico, adorou a versão portátil. Compramos um igual ao da amiguinha e o penico passou a morar na mochila que usamos diariamente nas nossas saídas. Com exceção de dois acidentes, ele nunca mais fez cocô na fralda. O tal penico portátil já foi usado nos mais diversos lugares.

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dezembro 21, 2015

Uma festa (quase) sustentável

Meu pequeno completou 3 anos no dia 11 de dezembro! Não deixaríamos passar em branco, obviamente, mas não tínhamos grandes planos para comemorar. Adoro festas simples e ao ar livre, com espaço para as crianças brincarem e correrem à vontade. Como estamos no inverno aqui no hemisfério norte, não daria para fazer nada ao ar livre. Nosso apartamento é muito pequeno, então fazer uma festa em casa também estava fora de cogitação.

Mas aí, no início da semana do aniversário, a previsão do tempo começou a indicar que teríamos uma onda de ‘calor’ no fim de semana, chegando a 20 graus Celsius, temperatura muito alta para essa época do ano!

Tentando não pensar muito no aquecimento global e nas prováveis causas para temperaturas tão atípicas, eu e o marido resolvemos aproveitar a oportunidade para comemorar o aniversário do Eduardo ao ar livre, no nosso parquinho favorito aqui em Washington DC, o Westminster Playground!

Fotos por Hugo Sampaio

Crédito: Hugo Sampaio

Mandamos o convite para alguns amigos (da escola, do bairro, da comunidade brasileira e da comundidade italiana – meu marido é italiano, para quem não sabe) e começamos a providenciar o que serviríamos de comida e bebida aos convidados.

Festa costuma me deixar tensa com tanto lixo acumulado no final. Vocês já pararam para pensar na quantidade de copos, pratos e talheres descartáveis usados pelos convidados? E o lixo gerado pelo buffet, tanto na hora de preparar a comida quanto na hora de servir? E a decoração? Não vou nem entrar na questão dos presentes e das embalagens, pois é um assunto para um post inteiro. Se não tentarmos minimizar a quantidade de lixo, a festa termina, os convidados vão embora e os enormes sacos de lixo com tudo que foi descartado permanecem, durante séculos, nos aterros sanitários.

Como planejamos a festinha do Eduardo toda em cima da hora, não tive muito tempo para colocar a mão na massa e botar em prática tudo o que seu sei sobre descarte de materiais, desperdício de alimentos, etc . Mas me esforcei para minimizar o “estrago”. Encomendamos queijos, frutas e pães no Whole Foods (uma rede de supermercado gourmet) e compramos água e suco de maçã orgânico em garrafas de vidro. Não poderia deixar de fazer o bolo. Na véspera, assei um bolo de cenoura brasileiro com cobertura de chocolate 70% cacau. A doçura das cenouras orgânicas fresquinhas da feira de produtores e do óleo de côco me permitiram cortar a quantidade de açúcar da receita original pela metade.

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outubro 8, 2015

Um presente diferente

Morávamos em Londres em 2007, quando eu e o marido resolvemos nos casar. E foi lá mesmo que fizemos a cerimônia, no cartório, seguida de um brunch no salão da residência estudantil onde morávamos, no bairro de Bloomsbury.

Na época, eu não era ainda minimalista e, portanto, a ideia de receber uma infinidade de presentes não me deixava de cabelo em pé, como aconteceria caso estivesse me casando agora.

Porém, morávamos em um apartamento compacto em uma residência estudantil, totalmente mobiliado e equipado (com pratos, talheres, panelas e vários outros utensílios de cozinha além de móveis). Não tínhamos, portanto, como nos desfazer das coisas do apartamento para usar as coisas que ganharíamos de casamento.

Foto por Frasmotic, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Frasmotic, Flickr, Licença Creative Commons

Além disso, não sabíamos se permaneceríamos em Londres após o término de nossos doutorados. Não fazia sentido, então, criar uma lista de presentes tradicionais.

Uma dupla de amigas teve a ótima ideia de nos dar um presente em forma de ‘experiência’. Compraram um voucher em um site especializado, que nos dava a opção de escolher uma ‘experiência’ no valor do voucher que elas haviam comprado.

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junho 17, 2015

O pirulito da discórdia

Foto por Ed Dale, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Ed Dale, Flickr, Licença Creative Commons

Alguns anos atrás, antes de nosso filho nascer, viajei com o marido e uns amigos para um parque florestal a cerca de uma hora daqui de Washington DC. Ficamos todos hospedados em um hotel dentro do parque. O hotel possui restaurante, mas nenhuma refeição está incluída na diária, nem mesmo o café da manhã. Na manhã seguinte à nossa chegada, um episódio que já rendeu muita conversa aconteceu após tomarmos café da manhã.

As contas das refeições feitas no restaurante devem ser pagas em um quiosque na porta do estabelecimento. Além de ponto de pagamento, o quiosque é também um café, servindo bebidas quentes, frutas e alguns pães. Estava na fila para quitar a conta com uma amiga e sua filha, que na época tinha um pouco menos de três anos.

Ao chegar no caixa, avistamos um enorme ‘porta-pirulitos’, que estava, obviamente, também no campo de visão da pequena de três anos. Preciso dizer qual foi a reação da menina? Com muita dificuldade, conseguimos pagar pelo café da manhã sem pagar também por um pirulito. Ao longo do dia, no entanto, o assunto voltou inúmeras vezes. A menina insistiu tanto para ganhar um pirulito que a mãe acabou cedendo e comprando um.

Contei esta história a alguns amigos. O episódio sempre acaba virando uma discussão ‘filosófica’ sobre a presença do porta-pirulitos no balcão do quiosque.

É ético o quiosque/café do hotel onde estávamos hospedados colocar o porta-pirulitos no balcão por onde todos que fazem refeição no restaurante têm que passar?

O porta-pirulitos deveria ou não estar disponível ao lado do caixa?

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março 17, 2015

Você acha que plástico livre de BPA é seguro? Pense novamente

Essa garrafa muito provavelmente é livre de BPA. Mas será que ela é segura? Foto por Gordon, Flickr, Licença Creative Commons

Essa garrafa muito provavelmente é livre de BPA. Mas será que ela é segura? Foto por Gordon, Flickr, Licença Creative Commons

Alguns anos atrás, pesquisas começaram a demonstrar que o Bisfenol-A é tóxico. A substância atrapalharia o funcionamento do sistema endócrino, o sistema que regula os hormônios no corpo humano, contribuindo para o desenvolvimento de uma série de doenças. A toxicidade do BPA foi amplamente divulgada pela imprensa e a má fama acabou chegando aos consumidores.

A substância foi, então, retirada de muitos produtos, principalmente os voltados para o público infantil, como mamadeiras, copos de transição e brinquedos.

A indústria pegou a onda do ‘sucesso’ do Bisfenol-A e relançou vários produtos com o selo ‘plástico livre de BPA’. Muitos pais compraram esses produtos acreditando que eles fossem realmente mais seguros para seus filhos.

Componente fundamental na fabricação de policarbonato (um tipo de plástico duro) e muito usado para revestir latas e garrafas, o Bisfenol-A não pôde ser eliminado das fórmulas dos produtos sem algo para substituí-lo. Para tal tarefa, a indústria tem usado muito um outro Bisfenol, o Bisfenol-S.

E se eu te contasse que pesquisas recentes têm indicado que o Bisfenol-S é provavelmente tão tóxico quanto o Bisfenol-A e também atrapalharia o funcionamento do sistema endócrino?

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fevereiro 23, 2015

Educação alimentar em florestas de concreto

Foto por Michel Bish, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Michel Bish, Flickr, Licença Creative Commons

Sabe aquele requeijão que você usa no café da manhã? Ele chega à sua casa após um longo processo de produção. O pote onde o requeijão é vendido é produzido numa fábrica de produtos de plástico ou de vidro e transportado até a fábrica de laticínios. Depois de pronto, o requeijão, já dentro do pote, vai para um centro de distribuição. De lá, parte para o supermercado. O transporte tem de ser feito dentro de um caminhão refrigerado e, no supermercado, o requeijão tem que ficar na prateleira refrigerada. Toda essa climatização gasta bastante eletricidade.

Já o pão nosso de cada dia tem grandes chances de ter sido feito com trigo produzido lá na Argentina. Várias outras coisas que consumimos vêm de longe. O transporte de alimentos, seja ele marítimo ou aéreo, gasta combustível, mas com esse valor energético quase ninguém se importa.

Aquela caxinha longa vida que armazena as bebidas disponíveis na prateleira dos supermercados é composta por seis camadas, incluindo camadas de plástico, uma de papel e uma camada de alumínio. Ou seja, só a cadeia de produção da embalagem é de uma complexidade e custo ambiental enormes. A produção de bauxita (matéria-prima essencial para a produção de alumínio), por exemplo, demanda muita, mas muita, energia elétrica.

Existem poucas coisas na vida do ser humano mais cruciais do que se alimentar. E, como os exemplos acima sugerem, poucas coisas estão tão relacionadas ao meio ambiente quanto o modo como nos alimentamos.

Diante disso, será que, como sociedade, damos atenção o suficiente à educação alimentar de crianças e adolescentes?

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janeiro 19, 2015

A infância dos criadores do iPad

Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

A equipe da Apple que inventou o iPad era, muito provavelmente, composta por pessoas super criativas, capazes de resolverem problemas complexos e que não desistem facilmente de um projeto. Afinal, o aparelho criado pela empresa é um exemplo marcante de tecnologia e design.
Vocês já pararam para pensar sobre o que faziam os inventores do iPad quando eram crianças? Com certeza não brincavam com tablets.

Será que a maneira como os criadores do iPad brincavam na infância influenciou o modo como trabalham agora que são adultos?

O empreendedor Nate Hanson, criador do Sumry, um inovador aplicativo da Web para criação e compartilhamento de currículos, acredita que sim.

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novembro 4, 2014

Repensando a bebida na lancheira das crianças

Foto por PhotographyByPaul, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por PhotographyByPaul, Flickr, Licença Creative Commons

Todos os dias, Joãozinho leva para a escola uma caixinha de bebida longa vida em sua lancheira. O surgimento desse tipo de produto no mercado facilitou a vida da mãe de Joãozinho, pois as embalagens longa vida individuais têm o tamanho perfeito para o lanche da escola.

Ótimo, não? Hmmm, mais ou menos. Infelizmente, a proliferação de bebidas industrializadas em caixas cartonadas longa vida traz consigo praticidade, mas também baixo valor nutritivo, potenciais problemas de saúde e um alto custo ambiental.

Como ficará claro ao longo do texto, o assunto ‘bebida de criança’ é um caso que ilustra perfeitamente a premissa aqui do Eco Maternidade de que o que é melhor para o meio ambiente é também melhor para a saúde de nossos nossos filhos. Precisamos repensar que bebida colocar nas lancheiras dos pequenos.

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outubro 8, 2014

Suas gavetas e a Galinha Pintadinha

Foto por Alvin Smith, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Alvin Smith, Flickr, Licença Creative Commons

Qual é a relação entre as gavetas da sua casa e a Galinha Pintadinha? Aparentemente, nenhuma. Mas, para mim, não somente as gavetas, mas as portas de armários, enfeites, estantes de livros e vários outros pontos de nossas casas estão diretamente relacionados com a galinha azul que recentemente recebeu os parabéns por manter as crianças quietinhas 1 bilhão de vezes.

Quanto menos ‘atrativos proibidos’ à disposição da criança, menor é a necessidade de chamar a galinha para ajudar.

Criança pequena é ativa e curiosa por natureza. Desejar que ela não mexa nas coisas a seu redor, não suba na mesa de centro e não abra armários é remar contra a maré. Afinal, por que uma criança pequena haveria de saber a diferença entre um enfeite e um brinquedo ou entre um livrinho de história e o livro da mesa de centro da sala de estar? Ela simplesmente não tem ainda maturidade cognitiva para compreender por que algumas coisas são permitidas e outras não. Monitorar uma criança pequena e mantê-la longe de pontos perigosos o tempo todo cansa, física e mentalmente. E traz junto dois grandes problemas.

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setembro 30, 2014

Conselhos da indústria alimentícia? Não, obrigada!

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Diego Sevilla Ruiz, Flickr, Licença Creative Commons

Há alguns meses, me deparei, em uma andança pela Internet, com a notícia de que uma multinacional de laticínios havia lançado uma marca de leite em pó para crianças a partir de 1 ano. Pelo que entendi, estão querendo ganhar mais espaço no mercado de alimentos infantis no país. Como parte da estratégia de marketing, lançaram, também, uma ‘escolinha de nutrição’ como aplicativo da página da empresa no Facebook. A ideia é oferecer aulas sobre alimentação de crianças pequenas para pais e mães.

Demorei um tempão para digerir o que tinha lido na tal página, tanto o que tinha sido escrito pelo departamento de marketing da empresa quanto os comentários positivos deixados por pais e mães fãs da marca. Não conseguia parar de pensar em quão triste é a constatação de que adultos aceitam a orientação de uma multinacional para alimentar seus bebês.

Após um tempo, me convenci de que uma situação como a descrita acima somente é possível porque, na verdade, há muitos adultos meio perdidos em relação à própria alimentação. Em outras palavras, há muitos adultos que não têm referências positivas que os ajudem na hora das compras e na cozinha, não sabem ler rótulos, desconhecem os prejuízos associados aos alimentos industrializados e não têm nocões básicas de nutrição e de culinária, seja por falta de interesse pelo assunto, por falta de tempo ou por acreditar que cozinhar bem é algo complicado e inatingível.

Se esse é o caso de muitos adultos em relação à própria alimentação, o que acontece quando eles se tornam pais? O sucesso da campanha da multinacional que descrevo acima sugere que muitos pais estão perdidos quando se vêem responsáveis pela alimentação dos filhos.

Fico imaginando como estaria sendo a alimentação do meu filho caso eu não tivesse tomado a iniciativa de aprender a cozinhar quando saí da casa dos meus pais há mais de 10 anos e não tivesse cultivado e ampliado meu interesse pelo tema alimentação desde então. Muito provavelmente, estaria me sentindo insegura e acabaria oferecendo a ele, com a melhor das intenções, algum produto alimentício voltado para o público infantil, sem saber que produtos alimentícios frequentemente têm baixíssimo valor nutritivo, contêm açúcar ou sódio em excesso, carboidratos refinados, conservantes e espessantes, além de serem desprovidos de fibras.

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