dezembro 21, 2015

Uma festa (quase) sustentável

Meu pequeno completou 3 anos no dia 11 de dezembro! Não deixaríamos passar em branco, obviamente, mas não tínhamos grandes planos para comemorar. Adoro festas simples e ao ar livre, com espaço para as crianças brincarem e correrem à vontade. Como estamos no inverno aqui no hemisfério norte, não daria para fazer nada ao ar livre. Nosso apartamento é muito pequeno, então fazer uma festa em casa também estava fora de cogitação.

Mas aí, no início da semana do aniversário, a previsão do tempo começou a indicar que teríamos uma onda de ‘calor’ no fim de semana, chegando a 20 graus Celsius, temperatura muito alta para essa época do ano!

Tentando não pensar muito no aquecimento global e nas prováveis causas para temperaturas tão atípicas, eu e o marido resolvemos aproveitar a oportunidade para comemorar o aniversário do Eduardo ao ar livre, no nosso parquinho favorito aqui em Washington DC, o Westminster Playground!

Fotos por Hugo Sampaio

Crédito: Hugo Sampaio

Mandamos o convite para alguns amigos (da escola, do bairro, da comunidade brasileira e da comundidade italiana – meu marido é italiano, para quem não sabe) e começamos a providenciar o que serviríamos de comida e bebida aos convidados.

Festa costuma me deixar tensa com tanto lixo acumulado no final. Vocês já pararam para pensar na quantidade de copos, pratos e talheres descartáveis usados pelos convidados? E o lixo gerado pelo buffet, tanto na hora de preparar a comida quanto na hora de servir? E a decoração? Não vou nem entrar na questão dos presentes e das embalagens, pois é um assunto para um post inteiro. Se não tentarmos minimizar a quantidade de lixo, a festa termina, os convidados vão embora e os enormes sacos de lixo com tudo que foi descartado permanecem, durante séculos, nos aterros sanitários.

Como planejamos a festinha do Eduardo toda em cima da hora, não tive muito tempo para colocar a mão na massa e botar em prática tudo o que seu sei sobre descarte de materiais, desperdício de alimentos, etc . Mas me esforcei para minimizar o “estrago”. Encomendamos queijos, frutas e pães no Whole Foods (uma rede de supermercado gourmet) e compramos água e suco de maçã orgânico em garrafas de vidro. Não poderia deixar de fazer o bolo. Na véspera, assei um bolo de cenoura brasileiro com cobertura de chocolate 70% cacau. A doçura das cenouras orgânicas fresquinhas da feira de produtores e do óleo de côco me permitiram cortar a quantidade de açúcar da receita original pela metade.

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novembro 12, 2015

Na escola do meu filho …

Tem uma estação de marcenaria!

Outro dia, na pré-escola, o grupo do qual meu filho faz parte — composto de crianças entre 2 anos e meio e 3 anos incompletos — usou ferramentas de marcenaria. As crianças usaram martelo, prego e furadeira manual. De plástico? Não, tudo de verdade. Ninguém martelou ninguém na cabeça. Na verdade, não houve acidente algum.

Crédito: Eco Maternidade

Por que uma pré-escola haveria de criar um cantinho de marcenaria para crianças tão pequenas? Os motivos são vários e envolvem habilidades físicas, sociais e cognitivas. Além de ser uma atividade fascinante para os pequenos, trabalhar com marcenaria permite à escola criar um ambiente não-sexista. Outro ponto positivo da estação de marcenaria é que a criança aprende sobre regras de segurança (para participar, a criança precisa colocar luvas e óculos de proteção). Criar um espaço para marcenaria na pré-escola é, também, uma maneira de questionar a noção senso comum de que crianças são seres completamente incapazes.

Há muito incentivo à autonomia!

O incentivo à autonomia é levado muito a sério pela escola. Sempre que possível, de forma saudável e apropriado à faixa etária, as crianças são incentivadas a fazer as coisas por conta própria, de forma independente. Vestir o casaco, calçar os sapatos, ir ao banheiro, abrir a lancheira são todas tarefas que até mesmo crianças de 2 anos conseguem fazer com nenhuma ou pouca intervenção. Ao incentivar a autonomia, a escola está plantando sementinhas de auto-estima dentro de cada aluno. Afinal, quem não gosta de se sentir capaz?

As crianças aprendem a lidar com conflitos!

Criança pequena quer sempre brincar justamente com o brinquedo que está sendo usado pelo colega, não é? Quando existem este e outros tipos de conflito, os professores da pré-escola não recolhem o brinquedo disputado, não separam as crianças em desacordo e nem forçam nenhuma criança a pedir desculpas. Em vez disso, aproveitam a oportunidade para que as crianças aprendam a identificar seus sentimentos, a se expressar, a escutar o que os colegas têm a dizer e a encontrar, juntos, uma solução para continuarem brincando. Ao ajudar as crianças a solucionar conflitos, os professores dessa pré-escola evitam que se crie uma cadeia de abusos presente em tantas instituições escolares. A habilidade de resolução de conflitos, aliás, é algo útil para a vida toda, não? O mundo seria muito melhor se todos nós aprendêssemos a solucionar com conflitos ainda crianças.

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maio 28, 2015

Enfiando o pé na lama!

Foto por Hammonton Photography, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Hammonton Photography, Flickr, Licença Creative Commons

“Mamãe, vamos ao parque hoje?”, pergunta Pedro.

“Filho, choveu muito ontem à noite e durante a madrugada. O parque vai estar todo molhado e cheio de lama, então não dá para ir”, responde a mãe.

Se você já vivenciou a situação acima ou alguma outra parecida, deixo aqui um convite para que você reveja seus conceitos, abandone os sabonetes bactericidas e organize uma ida ao parque logo depois da próxima chuva na sua cidade.

Todo mundo sabe que criança adora brincar na lama e se sujar enquanto brinca. Os pequenos não podem ver uma poça de lama que saem correndo para pular ou explorar com as mãos. É a maior diversão!

Mas tudo indica que, ao brincar na lama, seu filho está fazendo muito mais do que se divertir.

A atração que crianças têm por ‘sujeira’, inclusive sujeira molhada, seria decorrente de milhões de anos de evolução da nossa espécie e fundamental para o desenvolvimento do sistema imunológico.

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fevereiro 23, 2015

Educação alimentar em florestas de concreto

Foto por Michel Bish, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Michel Bish, Flickr, Licença Creative Commons

Sabe aquele requeijão que você usa no café da manhã? Ele chega à sua casa após um longo processo de produção. O pote onde o requeijão é vendido é produzido numa fábrica de produtos de plástico ou de vidro e transportado até a fábrica de laticínios. Depois de pronto, o requeijão, já dentro do pote, vai para um centro de distribuição. De lá, parte para o supermercado. O transporte tem de ser feito dentro de um caminhão refrigerado e, no supermercado, o requeijão tem que ficar na prateleira refrigerada. Toda essa climatização gasta bastante eletricidade.

Já o pão nosso de cada dia tem grandes chances de ter sido feito com trigo produzido lá na Argentina. Várias outras coisas que consumimos vêm de longe. O transporte de alimentos, seja ele marítimo ou aéreo, gasta combustível, mas com esse valor energético quase ninguém se importa.

Aquela caxinha longa vida que armazena as bebidas disponíveis na prateleira dos supermercados é composta por seis camadas, incluindo camadas de plástico, uma de papel e uma camada de alumínio. Ou seja, só a cadeia de produção da embalagem é de uma complexidade e custo ambiental enormes. A produção de bauxita (matéria-prima essencial para a produção de alumínio), por exemplo, demanda muita, mas muita, energia elétrica.

Existem poucas coisas na vida do ser humano mais cruciais do que se alimentar. E, como os exemplos acima sugerem, poucas coisas estão tão relacionadas ao meio ambiente quanto o modo como nos alimentamos.

Diante disso, será que, como sociedade, damos atenção o suficiente à educação alimentar de crianças e adolescentes?

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janeiro 19, 2015

A infância dos criadores do iPad

Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

Foto por Tom Woodward, Flickr, Licença Creative Commons. A geração que inventou o iPad ficava muito menos tempo na frente de uma tela do que a geração atual. Será que isso influenciou a maneira como a equipe da Apple trabalha?

A equipe da Apple que inventou o iPad era, muito provavelmente, composta por pessoas super criativas, capazes de resolverem problemas complexos e que não desistem facilmente de um projeto. Afinal, o aparelho criado pela empresa é um exemplo marcante de tecnologia e design.
Vocês já pararam para pensar sobre o que faziam os inventores do iPad quando eram crianças? Com certeza não brincavam com tablets.

Será que a maneira como os criadores do iPad brincavam na infância influenciou o modo como trabalham agora que são adultos?

O empreendedor Nate Hanson, criador do Sumry, um inovador aplicativo da Web para criação e compartilhamento de currículos, acredita que sim.

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novembro 18, 2014

Altas doses de Vitamina N(atureza)

Meu filho brincando ao ar livre. Crédito: Eco Maternidade

Meu filho brincando ao ar livre. Crédito: Eco Maternidade

Por que será que o ser humano dá preferência, sempre que possível, a morar, ou pelo menos passar férias, em um lugar com vista para a natureza (árvores, uma montanha ou o mar)?

Pois essa preferência não parece ser decorrente somente de uma questão estética. Ou seja, não é somente porque uma vista para a natureza é bonita e agradável para os olhos. Estudos têm demonstrado que a proximidade a áreas verdes é de fundamental importância à nossa saúde mental. E mais: o contato direto e regular com a natureza parece ser crucial também para a nossa saúde física.

No caso de crianças, brincar ao ar livre seria muito mais do que aprender sobre o meio ambiente ou sustentabilidade e muito mais do que arejar ou respirar ar puro. A natureza oferece às crianças uma infinidade de experiências sensoriais que não podem ser fabricadas artificialmente.

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