Foto por Beth Darbyshire, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Beth Darbyshire, Flickr, Licença Creative Commons

A fralda descartável é uma invenção relativamente recente da humanidade. Tão recente que as primeiras fraldas a serem comercializadas, há cerca de 40 anos, continuam no mesmo lugar onde foram parar após terem sido descartadas pelos pais de bebês da década de 70. Sim, foi isso mesmo que você leu. Se você tem idade para, quando bebê, ter usado fraldas descartáveis, saiba que elas ainda existem.

Feitas majoritariamente de plástico (isto é, petróleo) e celulose (isto é, árvores) e branqueadas com o uso de cloro, as fraldas convencionais têm uma cadeia de produção altamente poluente e demoram MUITO tempo para se decompor. De acordo com o Serviço de Parques Nacionais dos EUA, uma fralda descartável convencional leva cerca de 450 anos para se decompor.

Considerando a quantidade de fraldas usadas por um bebê até a idade em que o desfralde costuma acontecer (um estudo da National Geographic estimou que sejam, em média, 3.796 fraldas), não dá para negar que um bebê produz muito lixo em forma de fralda.

Diante disso, algumas empresas têm investido em fraldas mais ecológicas, sem o uso de cloro, sem fragrâncias sintéticas e com celulose certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council, organização sem fins lucrativos que promove o manejo sustentável de florestas), reduzindo um pouco o impacto ambiental associado ao processo de produção das fraldas. Algumas marcas têm investido ainda na produção de fraldas feitas a partir de materiais biodegradáveis, como o bioplástico de amido de milho, por exemplo, na tentativa de resolver o problema do descarte. Essas empresas têm investido, também, bastante dinheiro no marketing de seus produtos, focando, obviamente, em seus benefícios ecológicos.

Que maravilha, certo? Infelizmente, a história não é tão simples assim. Algumas empresas se “esquecem” de explicar, no material de divulgação, que as fraldas não são biodegradáveis em aterros sanitários, destino final da maioria delas. Não é que as fraldas não sejam biodegradáveis. Elas são. Mas precisam estar no ambiente adequado para que a decomposição aconteça de forma rápida. E aterros sanitários não oferecem esse ambiente, pois não há oxigênio e umidade suficientes. De que adianta descartar a fralda biodegradável junto com o lixo comum, dentro de um saco plástico convencional, para, literalmente, enterrá-la no aterro sanitário?

Na verdade, nenhum produto anunciado como ‘biodegradável’ desaparece em um passe de mágica após o descarte. Após 35 anos, ainda dá para ler jornais descartados em aterros sanitários.

Reconheço o esforço das empresas em criar uma fralda mais ecológica. De fato, eliminar o uso do cloro para branquear as fraldas, não utilizar fragrâncias sintéticas e usar celulose certificada pelo FSC são ótimas iniciativas. Mas fazer propaganda dizendo que as fraldas são biodegradáveis sem esclarecer que a biodegradabilidade depende de condições específicas de descarte é, até certo ponto, um ato, no mínimo, questionável.

Além da questão da biodegradabilidade (ou falta de) das fraldas, há ainda um outro problema relacionado ao bioplástico que precisa ser abordado. Imaginem a quantidade de milho que deveria ser plantada no mundo caso todas as fraldas descartáveis no futuro fossem produzidas com o bioplástico à base de amido de milho? Precisaríamos de muita terra fértil e muitos recursos naturais que deixariam de virar alimento para virar fralda.

A fralda biodegradável, portanto, não é a solução para segurar as necessidades fisiológicas dos bebês humanos.

REFERÊNCIAS E MAIS INFORMAÇÃO:

Plastic-Free: How I Kicked the Plastic Habit and How You Can Too

http://www.wired.com/science/discoveries/news/2004/04/63182?currentPage=all

http://www.greenlivingonline.com/article/truth-about-bioplastics

http://www.motherjones.com/environment/2009/05/do-biodegradable-plastics-really-work