Foto por David Goehring, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por David Goehring, Flickr, Licença Creative Commons

Até que ponto a seletividade na hora de comer é característica natural das crianças? O quanto da seletividade dos filhos pode ser atribuído a tropeços dos pais durante a introdução alimentar?

Minha experiência pessoal e as leituras que faço sobre o tema alimentação infantil me fazem acreditar que uma boa parte da seletividade da criança pode, sim, ser evitada.

A seletividade na hora da refeição deixa pais preocupados com a saúde dos filhos, faz com que restaurantes ofereçam menu infantil com itens pouco nutritivos e abre as portas para a indústria alimentícia lançar cada vez mais produtos de fácil aceitação pelo público infantil.

Infelizmente, na tentativa de fazer com que os filhos comam e com receio de que os filhos não estejam ingerindo uma quantidade suficiente de nutrientes, muitos pais lançam mão de estratégias atraentes que acabam sendo precursoras de problemas lá na frente.

A fim de entendermos alguns erros bastante comuns cometidos por pais ou cuidadores em relação à alimentação na primeira infância, eu fui buscar o conhecimento de uma especialista na área.

O texto de hoje é o primeiro de uma série de posts baseada no artigo Common mistakes parents make: How to start good eating habits, escrito pela terapeuta ocupacional pediátrica Alisha Grogan, que mantém o site Your Kid’s Table. O artigo de Alisha dá dicas sobre o que pode ser feito para maximizar as chances de uma criança comer bem. Mesclados às ideias de Alisha, há pitacos meus. O restante da série será publicada ao longo da semana.

Dica #1: Abandone as papinhas o quanto antes

A fase das papinhas, na verdade, nem é necessária, caso a técnica de introdução alimentar conhecida como Baby-Led Weaning seja usada. Se você, contudo, preferir seguir o caminho das papinhas, a sugestão de Alisha é que elas comecem a ser deixadas de lado, geralmente, por volta de 8 ou 9 meses. O ideal é que o bebê abandone completamente as papinhas até completar 1 ano. Muitos pais permanecem no estágio das papinhas por muito tempo porque acreditam ser mais fácil e prático e porque têm receio de oferecer alimentos sólidos aos filhos.

 

Foto por Reinhold Bresovsky, Flickr, Licença Creative Commons. O menino da foto tem 12 meses e já morde maçã.

Foto por Reinhold Bresovsky, Flickr, Licença Creative Commons. O menino da foto tem 12 meses e já morde maçã.

O problema é que, ao permanecer na etapa de alimentos pastosos por muito tempo, a criança pode ter muita dificuldade de aceitação de alimentos em pedaços quando finalmente os conhecer. Isso costuma acontecer em decorrência de dificuldades de mastigação ou em decorrência de problemas sensoriais relacionados ao tato (a criança estranha a sensação do alimento na boca ou na mão e o recusa). Nem toda criança que fica muito tempo no estágio da papinha tem dificuldades quando passa a comer pedaços. Como não dá para saber de antemão quem vai ou não ter dificuldades na transição do pastoso para o sólido, por que correr o risco, não é mesmo? Diga adeus à papinha o quanto antes!

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Amanhã, 3a feira, eu volto para dar continuidade à série de posts com dicas da terapeuta ocupacional Alisha Grogan. No post de amanhã, falaremos sobre o cadeirão de alimentação. Seu filho completou 1 ano e você acha que chegou a hora de tirá-lo do cadeirão? Pense novamente. No post de amanhã, eu te explico por que.

Caso seu filho não seja mais um bebê prestes a começar a introdução alimentar, não pense que é tarde demais. O objetivo da terapeuta Alisha Grogan em discutir esses erros comuns — e a minha intenção em divulgar suas ideias – é oferecer informação que ajude pais a fazerem mudanças na rotina alimentar de seus filhos. É provável que você demore um pouco para conseguir desfazer um hábito indesejável, mas é perfeitamente possível colocar as coisas nos eixos fazendo mudanças graduais, focando em uma coisa de cada vez.

Você conhece alguém insatisfeito com a alimentação do filho? O primeiro passo para começar a mudar hábitos alimentares é ter acesso a informação relevante. Se você está gostando desta série de posts e acha que o conteúdo dos textos pode interessar a outras pessoas, compartilhe-os em suas redes sociais! Pretendo trazer mais ideias da terapeuta Alisha Grogan para o Eco Maternidade, inclusive dicas de atividades sensoriais para serem feitas com crianças que apresentam seletividade alimentar.