Foto por Martin McDonald, Flickr, Licença Creative Commons

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O post de hoje é o segundo da série sobre alimentação infantil baseada nas ideias da terapeuta ocupacional Alisha Grogan. Alisha mantém o site Your Kid’s Table, com dicas preciosas para maximizar as chances de uma experiência bem-sucedida na hora da refeição.

Dica #2: Não desista do cadeirão cedo demais

Segundo Alisha, devemos evitar fazer a transição do cadeirão para uma cadeira normal ou uma mesinha de criança antes de 2 anos e meio. Convencer uma criança acostumada a um cadeirão convencional a ficar sentada em uma cadeira normal ou em uma mesinha é praticamente impossível, o que acaba afetando negativamente a refeição. O melhor é continuar com o cadeirão ou com um assento de elevação onde a criança possa ficar ‘presa’, oops, sentada com segurança. Caso a criança seja acostumada, desde o início da introdução alimentar, a sentar no cadeirão ou no assento de elevação, ela não conhecerá outra realidade e, portanto, dificilmente se recusará a comer sentada ali.

Apesar de concordar, no geral, com a recomendação de Alisha, acho que há espaço para várias ressalvas. Os cadeirões tradicionais acabam sendo um trambolho na cozinha ou sala de jantar e são muito difíceis de limpar. Além disso, nem sempre permitem que a criança se sente à mesa junto do resto da família, o que, para mim, é fundamental para uma introdução alimentar bem sucedida. Acho que um assento de elevação acoplado a uma cadeira normal é uma opção bem melhor. Esses assentos costumam ser bem mais baratos do que os cadeirões tradicionais, são fáceis de limpar e permitem que a criança se sente perto da mesa para participar da refeição.

A dica de manter o cadeirão ou assento de elevação por bastante tempo é também um tanto relativa. Crianças não precisam necessariamente se sentar em um cadeirão junto à mesa para comerem bem. Caso a família resolva fazer a introdução alimentar seguindo o método montessoriano, a dica de Alisha, naturalmente, não se aplica, já que o método sugere o uso de mesa e cadeira do tamanho da criança desde sempre. Além disso, muitas culturas fazem a refeição no chão ou ao redor de uma mesa baixa. Mas, caso a família esteja seguindo o caminho mais convencional do uso de cadeirão e seja adepta da prática de fazer refeições ao redor da mesa, acho a dica de Alisha muito válida.

Para mim, na verdade, o ideal são os cadeirões alternativos que podem ser ajustados à medida em que a criança cresce e podem ser colocadas junto à mesa para a criança participar da refeição com o resto da família. O cadeirão alternativo mais famoso é o Tripp Trapp, da marca escandinava Stokke. A cadeira da Stokke tem tantos ajustes que acomoda desde um bebê de 6 meses a um adulto. A cadeira dá a autonomia pregada pelo método montessoriano (a criança pode subir e descer sozinha quando está pronta para tanto), permite que a criança faça as refeições junto do resto da família ao redor da mesa e é fácil de limpar. Além disso, a Tripp Trapp é perfeita para o período em que a criança já é grande demais para um cadeirão convencional mas ainda é muito pequena para uma cadeira normal.

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Amanhã, 4a feira, eu volto para dar continuidade à série de posts com dicas da terapeuta ocupacional Alisha Grogan. No post de amanhã, falaremos sobre lanches. Seu filho belisca continuamente ao longo do dia? Amanhã eu vou falar por que o hábito de beliscar com frequência deve ser evitado.

Caso seu filho não seja mais um bebê prestes a começar a introdução alimentar, não pense que é tarde demais. O objetivo da terapeuta Alisha Grogan em discutir esses erros comuns — e a minha intenção em divulgar suas ideias – é oferecer informação que ajude pais a fazerem mudanças na rotina alimentar de seus filhos. É provável que você demore um pouco para conseguir desfazer um hábito indesejável, mas é perfeitamente possível colocar as coisas nos eixos fazendo mudanças graduais, focando em uma coisa de cada vez.

Você conhece alguém insatisfeito com a alimentação do filho? O primeiro passo para começar a mudar hábitos alimentares é ter acesso a informação relevante. Se você está gostando desta série de posts e acha que o conteúdo dos textos pode interessar a outras pessoas, compartilhe-os em suas redes sociais! Pretendo trazer mais ideias da terapeuta Alisha Grogan para o Eco Maternidade, inclusive dicas de atividades sensoriais para serem feitas com crianças que apresentam seletividade alimentar.

Outros posts da série O que (não) fazer para seu filho comer bem:
PARTE 1: Abandone as papinhas o quanto antes