Foto por Eric Peacock, Flickr, Licença Creative Commons

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O post de hoje é o quarto da série sobre alimentação infantil baseada nas ideias da terapeuta ocupacional Alisha Grogan. Alisha mantém o site Your Kid’s Table, com dicas preciosas para maximizar as chances de uma experiência bem-sucedida na hora da refeição.

Dica #4: Brinquedos não combinam com a refeição

Não levar brinquedos para a mesa é uma regra óbvia para muita gente, mas é sempre bom citá-la. O brinquedo distrai e a criança bate um prato inteiro, o que, à primeira vista, parece uma ótima estratégia. O problema é que aprender a comer envolve muito mais coisas do que ingerir a comida que está no prato. E a criança distraída com um brinquedo presta atenção, obviamente, no brinquedo e não no alimento: não presta a devida atenção na diversidade de cores que compõem o prato, usa as mãos para manipular o brinquedo e não alimento (explorar a comida com as mãos é parte crucial da introdução alimentar), entre outras coisas.

E, quando o bebê estiver maior e insistir em levar o brinquedo preferido do momento para a mesa, a regra continua válida. Alisha sugere não ceder nessas situações. Segundo a terapeuta, a criança acaba entendendo que realmente não pode levar a boneca, o caminhão ou o que quer que seja para a mesa e pára de pedir.

Eu acredito que uma criança que, desde pequena, é acostumada a não ter nada que a distraia na hora da refeição, não fica insistindo em levar brinquedo para a mesa quando cresce e começa a mostrar mais suas vontades.

Não há necessidade de distrair uma criança se a refeição for interessante para ela. Para que isso aconteça, a criança precisa ter contato com sabores complexos desde muito pequena, precisa manipular os alimentos com as mãos, explorando suas diferentes texturas, e precisa aprender a mastigar o quanto antes. Morder uma maçã, por exemplo, é muito mais interessante do que ingerir colheradas de papinha da mesma fruta.

Para terminar, não preciso nem dizer que uma tela (seja ela de TV ou iPad) também entra na categoria de itens indesejáveis na hora da refeição, não é?

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Amanhã, 6a feira, eu volto para dar continuidade à série de posts com dicas da terapeuta ocupacional Alisha Grogan. No post de amanhã, o último da série, falaremos sobre companhia na hora da refeição. Você janta junto com o seu filho? Ou ele come antes do resto da casa? No post de amanhã, eu vou contar por que as refeições em família devem ser priorizadas sempre, inclusive no caso de bebês.

Caso seu filho não seja mais um bebê prestes a começar a introdução alimentar, não pense que é tarde demais. O objetivo da terapeuta Alisha Grogan em discutir esses erros comuns — e a minha intenção em divulgar suas ideias – é oferecer informação que ajude pais a fazerem mudanças na rotina alimentar de seus filhos. É provável que você demore um pouco para conseguir desfazer um hábito indesejável, mas é perfeitamente possível colocar as coisas nos eixos fazendo mudanças graduais, focando em uma coisa de cada vez.

Você conhece alguém insatisfeito com a alimentação do filho? O primeiro passo para começar a mudar hábitos alimentares é ter acesso a informação relevante. Se você está gostando desta série de posts e acha que o conteúdo dos textos pode interessar a outras pessoas, compartilhe-os em suas redes sociais! Pretendo trazer mais ideias da terapeuta Alisha Grogan para o Eco Maternidade, inclusive dicas de atividades sensoriais para serem feitas com crianças que apresentam seletividade alimentar.

Outros posts da série O que (não) fazer para seu filho comer bem:
PARTE 1: Abandone as papinhas o quanto antes
PARTE 2: Não desista do cadeirão cedo demais
PARTE 3: Evite os lanchinhos a toda hora