A maioria dos pais e mães quer que seus filhos – e netos e bisnetos – tenham uma vida saudável e cresçam em um planeta limpo e seguro. Mas muitos dos problemas ambientais de nossa era pioraram nas últimas décadas: houve um aumento avassalador de casos de doenças respiratórias, os desastres ambientais têm se tornado cada vez mais frequentes, os oceanos se transformaram em um ‘sopão’ de dejetos poluentes, entre outras coisas.

Como mães e pais, temos a opção de tomar para nós a responsabilidade de ao menos minimizar o impacto ambiental causado pelas nossas famílias e contribuir para que as futuras gerações encontrem o planeta em melhor estado.

Como mães e pais, temos a opção de instigar em nós mesmos – e por que não em nossos filhos? – um pensamento crítico em relação a questões ambientais, refletindo sobre o impacto que nossas práticas diárias têm diante de um cenário ambiental mais macro.

Criar nossos filhos com consciência ambiental significa, também, propiciar a eles a oportunidade de ter contato mais direto com a natureza, por mais piegas ou cliché que essa afirmação possa parecer.

Com uma rotina já bastante corrida, principalmente nas cidades grandes, muita gente questiona o trabalho extra que viver uma vida ecologicamente consciente requer. Sim, é verdade que alguns novos hábitos exigem uma certa disciplina e planejamento extras. Muitos questionam também o alto custo de certos produtos ecológicos.

Contudo, além de acreditar, por questões de ética, que o impacto ambiental das minhas ações diárias é por si só um motivo mais do que suficiente para guiar meu estilo de vida, já faz tempo que cheguei à conclusão de que, em muitos casos, o que é melhor para o meio ambiente como um todo é também melhor para a minha saúde, tanto a saúde física quanto a saúde mental.

Se isso é verdade no caso de adultos, o que dizer, então, da saúde de bebês e crianças, com seus organismos ainda tão imaturos?

Aqui no Eco Maternidade, acreditamos na premissa de que o que é melhor para o meio ambiente é também melhor para a saúde dos nossos filhos.

Melhor para o meio ambiente e melhor para a saúde? Como assim?

Um brinquedo feito de algodão orgânico é, sem dúvida, melhor, do ponto de vista ambiental, do que um brinquedo feito de plástico (para quem não sabe, o plástico é, de maneira geral, derivado do petróleo e seu processo de produção é altamente poluente).

Mas o brinquedo de algodão orgânico é também melhor para o seu filho, principalmente no caso de bebês, que ainda colocam praticamente tudo na boca, pois há cada vez mais evidências de que algumas substâncias usadas na indústria do plástico são potencialmente tóxicas à saúde humana.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado em vários outros casos, referentes a muitos aspectos das vidas de nossos filhos, desde aquilo que lhes oferecemos para comer no almoço, aos produtos que usamos na hora do banho, à maquiagem que as meninas usam desde pequenas e ao tempo que dedicamos para que eles brinquem ao ar livre e explorem o meio natural onde vivem. Em outras palavras, a premissa de que o que é melhor para o meio ambiente é também melhor para nossos filhos é bastante ampla.

Sua família vive de maneira ecologicamente correta o tempo todo? Isto é, vocês não cometem nenhum ‘pecado’ ecológico?

Não, seria inviável, por vários motivos. Não temos carro, damos prioridade a compras de segunda mão (incluindo vários móveis e vários itens do enxoval de bebê), compramos muitos alimentos a granel para evitar embalagens desnecessárias, entre muitas outras coisas. Mas viajamos de avião mais do que gostaríamos e cometemos muitos outros ‘pecados’ ecológicos.

Além disso, nossa sociedade se organizou, ao longo dos últimos séculos, de maneira tal que, a não ser que você viva em uma comunidade isolada e autosuficiente, é impossível viver totalmente fora do sistema de serviços e consumo que temos hoje em dia.

Não é por isso que devemos ignorar os problemas ambientais causados pela maneira como vivemos atualmente e esperar que algúem, no futuro, os solucione. Precisamos ter coragem para agir de modo diferente e nos libertar de certas convenções sociais.

A ideia não é ter uma atitude radical e exemplar 100% do tempo, e sim tentar sempre incorporar um novo hábito mais ecológico e incentivar o pensamento crítico em relação aos problemas ambientais que nossa civilização enfrenta

Dá para colocar tudo o que é discutido aqui em prática?

Alguns aspectos do estilo de vida que eu relato por aqui, bem como algumas das reflexões que eu apresento, podem parecer radicais demais e inatingíveis para muita gente. Uma parte, mas somente uma parte, do que eu consigo aplicar no dia-a-dia da minha família só é viável, de fato, em função da infraestrutura disponível na cidade onde eu vivo. Acredito que a outra parte do que eu relato seja viável em qualquer lugar.

De qualquer forma, imagino que seja quase impossível implementar muitas mudanças ao mesmo tempo. Não foi de uma hora para outra que eu e meu marido passamos a viver como vivemos atualmente.

Fomos mudando gradualmente (e continuamos mudando!). Acredito que o importante seja começar e tentar sempre incorporar algum outro hábito novo.

A partir do momento em que um novo hábito passa a fazer parte de sua rotina, ele deixa de ser novidade e fica mais fácil focar na próxima coisa a ser mudada.

Nossas ações individuais fazem diferença?

Tem gente que acredita que a iniciativa de resolver os problemas do mundo deveria vir dos governos e das empresas. Afinal, são eles que têm poder. Uma ação individual não mudaria nada.

Pois eu acredito que ações individuais fazem diferença, sim. Não resolvem tudo, é claro. Porém, frequentemente, são as ações individuais ou de pequenos grupos, concomitantemente à disseminação de informação, que dão início ao processo de mudança de uma prática empresarial ou de políticas públicas.

O caso das mudanças na legislação sobre a propaganda de cigarros é um ótimo exemplo. Vocês acham que as empresas fabricantes de cigarro deixaram de veicular comerciais sobre seus produtos na TV por vontade própria? Ou porque indíviduos e grupos de ativistas começaram a disseminar informação sobre os problemas causados pelo fumo e conseguiram, na Justiça, a proibição das propagandas?

“Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados” – Gandhi

Por onde começar

Seja bem-vindo ao Eco Maternidade. Espero que você tenha se identificado com os parágrafos acima e tenha se animado em me acompanhar nessa empreitada.

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No nosso blog, você encontra textos sobre diversos aspectos da maternidade, como alimentação, consumo e entretenimento, nos quais o tema meio ambiente é usado como pano de fundo para reflexões, relatos de experiências e textos mais informativos (ou ‘científicos’). Para acessar o blog, clique aqui.