Foto por Krystal B, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Krystal B, Flickr, Licença Creative Commons

Desde antes de decidirmos engravidar, meu marido e eu já sabíamos que usaríamos fralda de pano em nosso bebê, por motivos ecológicos e financeiros. Não imaginávamos, contudo, que acabaríamos adotando a técnica conhecida em inglês como Elimination Communication’ (EC). Em poucas palavras, a técnica consiste em colocar o bebê para eliminar números 1 e 2 no penico. Nós focamos somente no número 2, ou seja, foi um EC de meio expediente. Já escrevi sobre o início da nossa experiência com a técnica aqui. Este texto conta o desfecho da história. Apesar de o uso da técnica não ter sido intencional, ela funcionou tão bem, mas tão bem, que me arrependo de não ter focado também no número 1!

Como contei em Um desfralde (quase) sustentável – PARTE 1, começamos, aos 6 meses, a colocar o Eduardo para fazer número 2 no penico de madeira que encomendamos pela internet. Ele era muitíssimo regular e evacuava praticamente todos os dias de manhã cedo. Foi sucesso total. Ao longo de vários meses de uso, foram pouquíssimas as vezes que ele não evacuou no penico logo após acordar. Já que estava dando certo, resolvemos adotar o penico também quando o Eduardo fazia número 2 mais de uma vez ao dia. Com pouquíssimas exceções, isso acontecia depois das refeições, mamadas ou sonecas.

Para nossa surpresa, aos 16 meses, nosso filho passou a nos avisar que precisava evacuar. Foi isso mesmo que você leu: com 1 ano e 4 meses, ele aprendeu a falar a palavra ‘cocô’ e passou a usá-la quando precisava evacuar. Levávamos ele para o penico meio incrédulos de que um bebê ainda tão novinho fosse capaz de tal feito. Desde então, sempre que estávamos em casa, ele passou a nos avisar todas as vezes que precisava evacuar. Quando estávamos na rua, ele não avisava e fazia na fralda.

Poucos meses depois, ele viu uma amiguinha que estava em processo de desfralde usar um penico portátil no parquinho. Como ele já curtia um penico, adorou a versão portátil. Compramos um igual ao da amiguinha e o penico passou a morar na mochila que usamos diariamente nas nossas saídas. Com exceção de dois acidentes, ele nunca mais fez cocô na fralda. O tal penico portátil já foi usado nos mais diversos lugares.

Como não focamos no número 1, o Eduardo continuou urinando na fralda. Não tivemos pressa em desfraldá-lo. Como o desfralde do xixi seria semelhante a um desfralde convencional, esperamos ele mostrar que estava pronto. Além disso, o desfralde aqui nos EUA, de maneira geral, é feito mais tarde do que no Brasil. Quando ele tinha cerca de dois anos e meio, ele falou que não queria mais usar fralda. No dia seguinte, passou a usar cueca. Durante duas semanas, tivemos alguns acidentes. Nas duas semanas seguintes, tivemos poucos acidentes. Cerca de um mês depois de abandonar as fraldas, os acidentes já não aconteciam mais.

Mesmo o desfralde do xixi tendo sido relativamente tranquilo, não considero que tenha sido uma transição tão natural como foi no caso do número 2. Tivemos vários acidentes de xixi, o que praticamente não ocorreu com o cocô. Apesar de o Eduardo ter pedido para não usar mais fralda, demonstrando estar pronto para o desfralde, ele demorou um pouco para começar a avisar que precisava urinar. Em outras palavras, o desfralde do xixi não foi um processo complicado, mas não foi tão espontâneo e natural como foi o Elimination Communication com o número 2.

Durante esse tempo todo, com exceção de viagens ou saídas muito longas, usamos fralda de pano. Mesmo sem ajuda doméstica, lavar as fraldas não foi nenhum bicho de sete cabeças. Passou a fazer parte da nossa rotina e nem cogitávamos usar as descartáveis no dia-a-dia. O processo ficou ainda mais simples em função de não termos que lavar fraldas sujas de cocô, já que o número 2 ia sempre para o penico. Até os 6 meses, fraldas sujas de cocô de bebê que mama no peito exclusivamente podem ser colocadas diretamente na máquina de lavar. Depois que a introdução alimentar começa, as fezes mudam e é preciso tirar o excesso de cocô das fraldas antes de colocá-las na máquina.

A fralda de pano que usamos no Eduardo era semelhante a essa da foto. Uma fralda de algodão presa com esses ganchinhos de borracha e, em cima disso, uma capa plástica. Foto por Brittany, Flickr, Licença Creative Commons

A fralda de pano que usamos no Eduardo era semelhante a essa da foto. Uma fralda de algodão presa com esses ganchinhos de borracha e, em cima disso, uma capa plástica. Foto por Brittany, Flickr, Licença Creative Commons

Além de ter facilitado a nossa vida, o EC trouxe também vantagens ambientais. O fato de não termos que tirar o excesso de cocô das fraldas de pano nos ajudou a economizar água. Como ele sempre pedia para evacuar no penico (depois passamos para o redutor de assento no próprio vaso), acabava também urinando. Muitas vezes, portanto, a fralda continuava limpa, fazendo com que as trocas ao longo do dia fossem menos frequentes, pois só os xixis isolados é que eram feitos na fralda. Consequentemente, as lavagens do estoque de fraldas de pano eram mais espaçadas. Muita água foi economizada com as lavagens menos frequentes.

Acredito que, por ter começado a evacuar no penico e depois na privada ainda tão pequeno, nosso filho acabou deixando as fraldas de vez mais cedo do que teria deixado caso não tivéssemos seguido o caminho do Elimination Communication meio expediente. Quando ele finalmente pediu para usar cueca, acredito que o fato de já evacuar na privada há mais de um ano, o ajudou a entender que deveria também urinar no banheiro (em vez de fazer pipi no chão da sala).

Termino o relato reiteirando o aspecto natural da técnica Elimination Communication. Ao contrário de que acontece com muitas crianças que passam pelo desfralde convencional, meu filho nunca demonstrou medo do vaso. Evacuar no penico ou privada, para ele, é tão natural que ele não tem dificuldade para ir ao banheiro nem na escola, mesmo tendo que se comunicar por lá em uma língua que ele não domina (moramos em Washington DC e não falamos inglês em casa; meu filho começou a aprender inglês quando começou a frequentar a pré-escola, com 2 anos e 9 meses).

Recomendo, e muito, o uso da técnica!