Morávamos em Londres em 2007, quando eu e o marido resolvemos nos casar. E foi lá mesmo que fizemos a cerimônia, no cartório, seguida de um brunch no salão da residência estudantil onde morávamos, no bairro de Bloomsbury.

Na época, eu não era ainda minimalista e, portanto, a ideia de receber uma infinidade de presentes não me deixava de cabelo em pé, como aconteceria caso estivesse me casando agora.

Porém, morávamos em um apartamento compacto em uma residência estudantil, totalmente mobiliado e equipado (com pratos, talheres, panelas e vários outros utensílios de cozinha além de móveis). Não tínhamos, portanto, como nos desfazer das coisas do apartamento para usar as coisas que ganharíamos de casamento.

Foto por Frasmotic, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Frasmotic, Flickr, Licença Creative Commons

Além disso, não sabíamos se permaneceríamos em Londres após o término de nossos doutorados. Não fazia sentido, então, criar uma lista de presentes tradicionais.

Uma dupla de amigas teve a ótima ideia de nos dar um presente em forma de ‘experiência’. Compraram um voucher em um site especializado, que nos dava a opção de escolher uma ‘experiência’ no valor do voucher que elas haviam comprado.

Não me lembro direito quais eram as opções, mas eu e o marido escolhemos tomar um chá da tarde em um hotel bacana no centro de Londres, algo que eu havia feito somente uma vez durante os vários anos em que morei na cidade, pois sempre o deixava para outra hora. Foi uma tarde deliciosa.

Desde então, virei fã do ‘presente experiência’. Acho que pode ser uma excelente alternativa ao ‘presente objeto’ tradicional em várias situações, inclusive no caso de presentear uma criança.

Será que uma criança precisa de tantos presentes em forma de objetos quando faz aniversário e recebe convidados para uma festa? De quantos presentes uma criança precisa no Natal? E no Dia das Crianças? Por que nossa cultura transformou o ato de presentear em uma obrigação?

Se nós, adultos, não acostumássemos nossos filhos a ganhar coisas novas a todo momento, os pequenos cresceriam tristes?

O que realmente importa para uma criança? Presentes ou a presença de pessoas que lhe dão conforto e amor?

Cada ‘presente objeto’ que compramos para dar a uma criança passou por uma série de etapas de produção com impacto direto no meio ambiente. Resumidamente, há extração de recursos e gasto de energia para produção e transporte, que variam de acordo com a matéria-prima, tamanho e peso do item, além, é claro, da distância entre centro de produção e o comprador.

Depois de um tempo, mesmo que estejamos falando de décadas, o item será descartado e, dependendo da matéria-prima usada na fabricação, demorará séculos para se decompor. Não tapemos o sol com a peneira: ‘jogar fora’, do ponto de vista ambiental, simplesmente não existe.

Tenho certeza de que muita gente doa os presentes que seus filhos ganham depois de um tempo, o que, obviamente, é positivo tanto social quanto ambientalmente. Porém, mesmo que o presente – brinquedo, livro, roupa, etc – seja doado e tenha sua vida útil estendida, ele será descartado em algum momento.

Além disso, será que o ato de doar a crianças menos privilegiadas socialmente não é usado por muitos, talvez inconscientemente, para que o círculo vicioso das compras continue?

Quem está fazendo um favor a quem quando se doa um brinquedo a um orfanato? A família privilegiada que faz a doação a uma criança carente? Ou é o orfanato que faz o favor às famílias privilegiadas, fazendo com que liberem espaço – físico e mental – para que sigam com o hábito de presentear e serem presenteadas sem limite?

Há diversas opções de ‘presente experiência’ para crianças. Você já deu ‘algum presente experiência’ antes? Qual foi?

Com um ‘presente experiência’, evitamos o acúmulo de objetos em casa, minimizamos o impacto ao meio ambiente e criamos memórias para o futuro.

O Eco Maternidade preparou um ‘vale-presente experiência’ que você pode baixar e usar no lugar do tradicional ‘presente objeto’. Clique na imagem abaixo para fazer download.

VOUCHER FINAL 2

 

Este texto foi originalmente publicado no portal Minha Mãe que Disse, em abril de 2014.