Meu pequeno completou 3 anos no dia 11 de dezembro! Não deixaríamos passar em branco, obviamente, mas não tínhamos grandes planos para comemorar. Adoro festas simples e ao ar livre, com espaço para as crianças brincarem e correrem à vontade. Como estamos no inverno aqui no hemisfério norte, não daria para fazer nada ao ar livre. Nosso apartamento é muito pequeno, então fazer uma festa em casa também estava fora de cogitação.

Mas aí, no início da semana do aniversário, a previsão do tempo começou a indicar que teríamos uma onda de ‘calor’ no fim de semana, chegando a 20 graus Celsius, temperatura muito alta para essa época do ano!

Tentando não pensar muito no aquecimento global e nas prováveis causas para temperaturas tão atípicas, eu e o marido resolvemos aproveitar a oportunidade para comemorar o aniversário do Eduardo ao ar livre, no nosso parquinho favorito aqui em Washington DC, o Westminster Playground!

Fotos por Hugo Sampaio

Crédito: Hugo Sampaio

Mandamos o convite para alguns amigos (da escola, do bairro, da comunidade brasileira e da comundidade italiana – meu marido é italiano, para quem não sabe) e começamos a providenciar o que serviríamos de comida e bebida aos convidados.

Festa costuma me deixar tensa com tanto lixo acumulado no final. Vocês já pararam para pensar na quantidade de copos, pratos e talheres descartáveis usados pelos convidados? E o lixo gerado pelo buffet, tanto na hora de preparar a comida quanto na hora de servir? E a decoração? Não vou nem entrar na questão dos presentes e das embalagens, pois é um assunto para um post inteiro. Se não tentarmos minimizar a quantidade de lixo, a festa termina, os convidados vão embora e os enormes sacos de lixo com tudo que foi descartado permanecem, durante séculos, nos aterros sanitários.

Como planejamos a festinha do Eduardo toda em cima da hora, não tive muito tempo para colocar a mão na massa e botar em prática tudo o que seu sei sobre descarte de materiais, desperdício de alimentos, etc . Mas me esforcei para minimizar o “estrago”. Encomendamos queijos, frutas e pães no Whole Foods (uma rede de supermercado gourmet) e compramos água e suco de maçã orgânico em garrafas de vidro. Não poderia deixar de fazer o bolo. Na véspera, assei um bolo de cenoura brasileiro com cobertura de chocolate 70% cacau. A doçura das cenouras orgânicas fresquinhas da feira de produtores e do óleo de côco me permitiram cortar a quantidade de açúcar da receita original pela metade.

As duas bandejas onde a comida do Whole Foods foi entregue pelo supermercado e servida na festa foram lavadas e guardadas para serem usadas em uma próxima ocasião. As duas garrafas de vidro de suco de maçã orgânico foram enviadas para reciclagem. Não pretendia comprar água. Uma amiga querida levaria água filtrada num dispenser de vidro, mas o filho dela acordou com uma infecção viral e a família não pode comparecer. Compramos, então, água mineral em garrafas de vidro, que também foram devidamente enviadas para reciclagem. Para servir a comida, comprei pratos, garfos e copos biodegradáveis e compostáveis.

Assim como as fraldas biodegradáveis, artigos para festa biodegradáveis só “funcionam” se forem descartados de forma adequada. Se forem enviados para aterros sanitários junto com o lixo comum, pratos, copos, etc NÃO se decompõem rapidamente. Entrei, então, em contato com a Compost Cab, a micro-empresa que usamos para coletar nosso lixo orgânico (isto é, cascas e restos de alimentos) e combinei que entregaria também os copos, pratos e garfos usados na festa. A Compost Cab coleta resíduos orgânicos em residências e recolhe lixo orgânico em postos de coleta na feira de produtores que frequentamos. Depois, leva o material para fazendas urbanas da região metropolitana de Washington DC ou, no caso de sacos e outros itens biodegradáveis, para um local de compostagem comercial.

No final da festa, no lixo comum, só descartamos o papel celofane que cobriu os pratos com pães, queijo e frutas vindos do Whole Foods, três pequenos potes de plástico onde o supermercado serviu o cream cheese para comermos com os pães e bolas de encher que a minha mãe (que está nos visitando) insistiu em levar. O resto foi enviado para reciclagem ou para compostagem.

Meu filho adorou a festinha! Correu e brincou muito com os amigos no parquinho e conseguiu entender que era um dia especial com foco nele.

A festa terminou e eu fiquei com a sensação de que foi tudo na medida certa. Com exceção de uma família, meu filho conhecia bem todos os outros convidados. Ou seja, brincou à vontade ao redor de rostos conhecidos. Os brinquedos do parquinho foram suficientes para as crianças se divertirem. A comida foi razoavelmente saudável e o único doce servido foi o bolo. O impacto ambiental da festa como um todo foi relativamente baixo.