Essa garrafa muito provavelmente é livre de BPA. Mas será que ela é segura? Foto por Gordon, Flickr, Licença Creative Commons

Essa garrafa muito provavelmente é livre de BPA. Mas será que ela é segura? Foto por Gordon, Flickr, Licença Creative Commons

Alguns anos atrás, pesquisas começaram a demonstrar que o Bisfenol-A é tóxico. A substância atrapalharia o funcionamento do sistema endócrino, o sistema que regula os hormônios no corpo humano, contribuindo para o desenvolvimento de uma série de doenças. A toxicidade do BPA foi amplamente divulgada pela imprensa e a má fama acabou chegando aos consumidores.

A substância foi, então, retirada de muitos produtos, principalmente os voltados para o público infantil, como mamadeiras, copos de transição e brinquedos.

A indústria pegou a onda do ‘sucesso’ do Bisfenol-A e relançou vários produtos com o selo ‘plástico livre de BPA’. Muitos pais compraram esses produtos acreditando que eles fossem realmente mais seguros para seus filhos.

Componente fundamental na fabricação de policarbonato (um tipo de plástico duro) e muito usado para revestir latas e garrafas, o Bisfenol-A não pôde ser eliminado das fórmulas dos produtos sem algo para substituí-lo. Para tal tarefa, a indústria tem usado muito um outro Bisfenol, o Bisfenol-S.

E se eu te contasse que pesquisas recentes têm indicado que o Bisfenol-S é provavelmente tão tóxico quanto o Bisfenol-A e também atrapalharia o funcionamento do sistema endócrino?

Pois é exatamente isso que um estudo publicado no periódico científico Environmental Health Perspectives em 2011 demonstrou. Desde então, outros estudos têm apresentado resultados semelhantes.

O Bisfenol-S, assim como o Bisfenol-A, imitaria a ação do estrogênio, o hormônio que tem papel chave no nosso organismo, do crescimento ósseo e ovulação à função cardíaca. Níveis baixos ou níveis elevados de estrogêneo, especialmente no útero ou na primeira infância, podem alterar o desenvolvimento do cérebro e de outros órgãos.

Em outras palavras, é como se o Bisfenol-S e o Bisfenol-A ‘reprogramassem’ nossas células, contribuindo para o desenvolvimento de doenças.

E agora, José? Se os produtos de plástico livres de BPA também são tóxicos, quais são as alternativas seguras?

Dicas práticas para evitar o contato com o Bisfenol, seja A ou S:

1. Na cozinha:
O ideal é eliminar itens de cozinha feitos de plástico e substituí-los por produtos de vidro e de aço inoxidável. O vidro é inerte, isto é, não reage no contato com o alimento. Potes e vasilhas de aço inoxidável também são uma boa opção, mas deve-se tomar cuidado para não arranhá-los, a fim de não expor os metais usados na fabricação do aço.

O ideal também é evitar alimentos enlatados. Além de eles não serem a melhor opção do ponto de vista nutricional, a lata que armazena o alimento é revestida por uma camada de plástico bem fina que costuma conter BPA (ou BPS). Ou seja, o conteúdo da lata fica em contato direto com o Bisfenol durante meses, já que enlatados têm prazo de validade longo. Se você não abre mão da praticidade de usar milho já debulhado, opte pela versão congelada. O mesmo se aplica à ervilha. Uma maneira relativamente simples de se livrar de tomates enlatados (e do Bisfenol que vem junto com os tomates) é preparar um estoque de passata de tomate caseira.

2. Na lancheira:
Por serem mais leves que os equivalentes de vidro e serem resistentes a quedas, potes e garrafinhas de aço inox são excelentes para transportar o lanche e a bebida das crianças para o passeio ou para a escola. Há versões de potes térmicos feitos de inox, que ajudam a manter o alimento frio ou quente. Preste atenção à parte interna da tampa. Alguns potes e garrafas de aço inox têm a parte interna da tampa feita de plástico. O ideal é que a parte interna também seja de inox.

Evite garrafinhas de alumínio porque, por dentro, elas contêm uma fina camada de plástico. Ou seja, a garrafa é de alumínio só por fora. O líquido, na verdade, fica armazenado em contato com a camada de plástico. Para saber se a garrafa é de aço ou de alumínio, leia a descrição do produto ou pergunte ao vendedor antes de fazer uma compra.

3. No baú de brinquedos
Além dos produtos que entram em contato com bebidas e alimentos, precisamos também prestar atenção aos brinquedos, principalmente de bebês que ainda estão na fase de levar tudo o que alcançam à boca. O plástico reina no mundo dos brinquedos infantis. Neste post aqui, eu conto porque o material é muito mais predominante do que uma apreciação inicial dos brinquedos de seus filhos possa sugerir. Para essa fase em que bebês levam tudo à boca, brinquedos de algodão (de preferência, orgânico), por exemplo, são uma opção bem mais interessante do que os onipresentes brinquedos de plástico.

4. No megafone
Você não acha que está na hora de fabricantes e revendedores caras-de-pau e irresponsáveis pararem de afirmar que seus produtos são seguros quando não são? Se você gostou deste post, por favor, compartilhe-o em suas redes sociais! Uma das etapas fundamentais para que mudanças de práticas empresariais aconteçam é a disseminação de informação entre consumidores.

REFERÊNCIAS E MAIS INFORMAÇÃO:

http://ehp.niehs.nih.gov/1003220/

http://www.motherjones.com/environment/2014/03/tritan-certichem-eastman-bpa-free-plastic-safe

http://www.scientificamerican.com/article/bpa-free-plastic-containers-may-be-just-as-hazardous/

http://www.sfgate.com/health/article/BPA-free-plastics-may-be-less-safe-than-those-5302319.php

http://www.mothering.com/articles/bpa-free-plastic-evil/